Advogado de Lulinha se reúne com ministro da Justiça em meio ao avanço de investigações da PF

Defesa do filho do presidente Lula pede apuração de supostos vazamentos de informações sigilosas enquanto Polícia Federal amplia investigações sobre suspeitas de tráfico de influência

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O advogado de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, reuniu-se nesta segunda-feira (3) com o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, em Brasília, em meio ao avanço das investigações da Polícia Federal que têm como alvo o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a defesa, o objetivo do encontro foi pedir providências para investigar supostos vazamentos de informações relacionadas aos inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF).

A reunião ocorreu no gabinete do ministro, no Palácio da Justiça, e durou cerca de uma hora. De acordo com o advogado Marco Aurélio de Carvalho, também foi solicitada a adoção de medidas para garantir acesso aos autos das investigações, o que, segundo ele, ainda não foi autorizado pelo STF.

“Eu pedi para que ele tome providências enérgicas para apurar a conduta dos servidores que possam, por ventura, ter vazado algum tipo de dado sigiloso”, afirmou o advogado após o encontro.

Procurado, o ministro Wellington César não comentou a reunião. Interlocutores do Ministério da Justiça informaram que Marco Aurélio compareceu ao gabinete para protocolar formalmente um pedido de investigação sobre os supostos vazamentos.

Defesa critica vazamentos

Marco Aurélio também afirmou que conversou por telefone com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e protocolou um requerimento junto ao comando da corporação para que sejam identificados e responsabilizados eventuais servidores envolvidos na divulgação de informações sigilosas.

Crítico da extinta Operação Lava Jato, o advogado comparou o atual cenário ao período das grandes investigações de corrupção.

“Na época da Lava Jato se vazavam dados dos inquéritos. Agora, estão sendo vazadas informações de inquéritos que nem sequer foram abertos, o que é mais grave ainda”, declarou.

Segundo ele, a defesa também aguarda autorização para acessar integralmente os autos dos procedimentos instaurados contra Lulinha.

Polícia Federal abriu novas investigações

Nos últimos dias, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a abertura de dois novos inquéritos solicitados pela Polícia Federal para apurar suspeitas de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva.

As investigações analisam a relação de Lulinha com pessoas que buscavam contratos junto ao Ministério da Saúde e ao Dataprev durante o terceiro mandato do presidente Lula.

Entre os investigados está o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, preso desde setembro de 2025 sob suspeita de atuar em um esquema de fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários.

Segundo a Polícia Federal, foram identificados elementos indicando que Antunes financiou uma viagem de Lulinha à Europa no fim de 2024, período em que o empresário buscava expandir seus negócios na área de medicamentos à base de cannabis junto ao poder público.

Os investigadores afirmam que os indícios surgiram a partir de quebras de sigilo telemático e fiscal autorizadas pelo STF. Apesar disso, a Polícia Federal informou que não encontrou conexão direta entre esses fatos e as fraudes no INSS, motivo pelo qual pediu a abertura de investigações específicas.

A defesa de Antônio Camilo Antunes informou que não comentará o caso porque ainda não teve acesso aos autos.

Defesa fala em “pesca probatória”

Marco Aurélio de Carvalho criticou os novos pedidos de investigação formulados pela Polícia Federal e classificou a estratégia como uma tentativa de ampliar as apurações sem elementos concretos.

“É mais do mesmo. A Polícia Federal está adotando a estratégia da tentativa e erro. ‘Não achei aqui, vou tentar ali’. É a chamada ‘melhor de três’, isso é pirotecnia, é pesca probatória”, afirmou.

Segundo o advogado, o filho do presidente deve responder às investigações dentro das garantias previstas pela Constituição, sem tratamento privilegiado nem restrições ao direito de defesa.

Histórico das investigações

As novas apurações representam mais um desdobramento das investigações conduzidas pela Polícia Federal envolvendo Fábio Luís Lula da Silva. Atualmente, há três procedimentos instaurados para apurar suspeitas de tráfico de influência relacionadas à aproximação de empresários interessados em obter contratos com órgãos da administração pública federal.

Até o momento, não há denúncia apresentada pelo Ministério Público nem condenação judicial contra Lulinha em relação a essas investigações. A defesa nega a prática de qualquer irregularidade e sustenta que os pedidos da Polícia Federal carecem de elementos concretos, classificando-os como uma tentativa de ampliar as apurações sem fundamento.

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