O advogado do general da reserva Walter Braga Netto, José Luís de Oliveira Lima, afirmou nesta terça-feira (24) que o tenente-coronel Mauro Cid mentiu à Polícia Federal ao relatar que teria recebido do ex-ministro um pacote com dinheiro para financiar um suposto plano golpista. As declarações foram feitas à imprensa após a audiência de acareação entre os dois no Supremo Tribunal Federal (STF), conforme relatado pelo g1.
“O general Braga Netto, em duas oportunidades, afirmou ao Mauro Cid, que permaneceu em todo o ato com a cabeça abaixada, e o chamou de mentiroso. Ele não retrucou quando teve a oportunidade de falar”, disse Oliveira Lima, informa a Folha de S.Paulo.
Durante o encontro, que durou quase duas horas, Braga Netto e Mauro Cid ficaram frente a frente para esclarecer pontos conflitantes de seus depoimentos no inquérito que apura a articulação de uma tentativa de golpe de Estado no fim do governo Jair Bolsonaro. A acareação foi convocada diante das divergências entre as versões dos investigados sobre o plano chamado de “Punhal Verde e Amarelo”, que previa medidas para reverter o resultado das eleições de 2022 por meios ilegais.
Segundo José Luís de Oliveira Lima, Mauro Cid apresentou ao menos três versões diferentes sobre a suposta entrega de dinheiro por Braga Netto — uma delas afirmando que o valor teria sido entregue em uma caixa de vinho. “É evidente que Mauro Cid faltou com a verdade”, disse o defensor do general. “Ele não apresentou qualquer prova, seja material ou testemunhal, que comprove essa narrativa.”
O advogado informou que vai reiterar ao STF o pedido de anulação do acordo de colaboração premiada firmado por Cid com a Polícia Federal. Segundo ele, o acordo está sendo usado para sustentar acusações sem evidências. “Não é possível que uma delação baseada em versões contraditórias e sem elementos de prova seja aceita como base para uma denúncia ou eventual condenação”, argumentou.
O episódio evidencia a crescente tensão entre os investigados do núcleo militar da chamada trama golpista. Braga Netto, que foi candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro em 2022, tem buscado descolar sua imagem das ações atribuídas a ex-integrantes do entorno mais próximo do ex-presidente. Já Mauro Cid, que era ajudante de ordens de Bolsonaro e se tornou peça-chave nas investigações, tem colaborado com os investigadores desde que firmou acordo de delação em 2023.
Até o momento, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal ainda não se pronunciaram oficialmente sobre o impacto da acareação desta terça no andamento do caso. O inquérito tramita sob sigilo no STF, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
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