O Palácio Tiradentes voltou a se transformar em palco cultural na noite desta segunda-feira (25), quando recebeu a peça “Luiz Gama: uma voz pela liberdade”. A encenação fez parte da programação gratuita promovida pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), que recentemente aprovou em segunda discussão o projeto de lei que insere a data de 24 de agosto como o Dia do Patrono da Abolição da Escravatura no calendário oficial do estado.
O espetáculo, apresentado pela segunda vez na sede histórica da Alerj — a primeira ocorreu em 2021 — narra a trajetória de Luiz Gama (1830-1882), jornalista, advogado autodidata e um dos principais nomes do abolicionismo no século XIX.
Com interpretação de Deo Garcez e Soraia Arnoni, a montagem resgata trechos de escritos jurídicos, poesias e a atuação política de Gama, misturando drama e sátira. Um dos pontos de maior impacto é a lembrança de que, embora nascido sob a lei do ventre livre, ele foi vendido como escravizado aos 10 anos pelo próprio pai, para quitar dívidas de jogo.
O espetáculo também destaca sua luta pela liberdade de mais de 700 pessoas, mesmo sem diploma de advogado, e a memória de sua mãe, Luiza Mahin, figura marcante na história da resistência negra.
Para a deputada Renata Souza (Psol), autora da lei que instituiu a data em homenagem a Gama, tanto o espetáculo quanto a oficialização da data são instrumentos de valorização da memória.
“Reconhecer o Dia Estadual como Patrono da Abolição é recuperar nossa história. Além da lei estar em vigor, ter esse espetáculo aqui é mais uma possibilidade de falar de maneira criativa e cultural a história do nosso país”, afirmou.
Cultura e democratização do acesso
A diretora de Cultura da Alerj, Fernanda Figueiredo, destacou o papel da sede histórica como espaço de integração entre Parlamento e sociedade. “O Palácio Tiradentes é palco do Legislativo, mas também a Casa do povo, tanto para espetáculos culturais gratuitos quanto para exibições que contam a própria história do Parlamento fluminense”, disse.
Deo Garcez, que interpreta Luiz Gama, ressaltou a relevância da gratuidade como forma de democratizar o acesso ao teatro. “Sempre será necessário falar sobre a história de Luiz Gama e sua luta. Trazer essa peça gratuitamente é uma forma de expandir e democratizar o acesso às pessoas, que quase sempre não conseguem ir ao teatro. Isso vem de encontro ao que ele queria: igualdade e equidade para todos”, destacou.
Soraia Arnoni, intérprete de Luiza Mahin, reforçou a importância de levar a trajetória de Gama a um espaço simbólico como as escadarias do Palácio Tiradentes. “Ficamos muito felizes com a oportunidade de levar às pessoas a trajetória de um homem como Luiz Gama. É muito importante trazer a imagem de um homem negro como um herói e, assim, montar no nosso imaginário, enquanto povo, uma outra imagem de pessoas negras”, afirmou.
Ao final, o estudante Diogo Batista, de 21 anos, destacou o simbolismo da apresentação. “A importância dessa peça está em ocuparmos um espaço que nunca é ocupado por nós e também contar a história de alguém que foi fundamental na libertação do nosso povo”, disse.






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