O mês da Consciência Negra ganhou um capítulo especial na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) com uma visita teatralizada que transformou o Palácio Tiradentes em um percurso vivo pela história afro-brasileira.
Realizada nesta sexta-feira (28), a atividade gratuita reuniu alunos, educadores e visitantes interessados em conhecer, de forma lúdica e interativa, a trajetória de personalidades negras que marcaram o país, especialmente o Rio de Janeiro.
Durante o percurso, seis personagens históricos ganharam voz e corpo, conduzindo o público por diferentes espaços da antiga sede do Parlamento e reconstruindo episódios que evidenciam resistências, conquistas e apagamentos.
Heróis negros tomam o centro da cena
Foram representados João Cândido, líder da Revolta da Chibata; Antonieta de Barros, pioneira na educação e primeira deputada negra do país; Machado de Assis, um dos maiores escritores da literatura brasileira; Timótheo da Costa, artista plástico; José do Patrocínio, jornalista e abolicionista; e Almerinda Gama, ativista e sufragista.
Todos eles simbolizaram, ao longo da visita, a luta de personagens que desafiaram barreiras raciais e sociais em diferentes contextos históricos. O professor Maurício de Souza, da Faetec de Niterói, destacou o impacto pedagógico da atividade para os estudantes.
Ele afirmou que a apresentação supera o conteúdo tradicional de sala de aula e transporta os jovens para uma experiência imersiva. Para ele, o evento reforça a educação antirracista e contribui para valorizar personalidades negras fundamentais na formação da identidade brasileira.
O docente disse que a visita fez com que os alunos se sentissem “entrando em um túnel do tempo”, experiência que considera essencial para futuras aulas.
Aprendizado que atravessa gerações
O aluno Guilherme de Oliveira ressaltou que a abordagem teatral ampliou o entendimento da turma sobre racismo estrutural e sobre o apagamento de figuras negras ao longo da história.
Ele comentou que muitos estudantes ainda desconhecem ou têm uma imagem distorcida sobre personagens importantes, citando o caso de Machado de Assis, frequentemente retratado como branco em materiais escolares. Para ele, a atividade foi esclarecedora ao relacionar o passado escravocrata com os desafios atuais enfrentados por pessoas negras no país.
A diretora de Cultura da Alerj, Fernanda Figueiredo, afirmou que a proposta busca fortalecer o Palácio Tiradentes como espaço de memória. Ela explicou que o objetivo da ação é dar visibilidade a nomes que contribuíram para a construção do estado e integrar a atividade ao calendário anual, ampliando o acesso público às narrativas afro-brasileiras.
Roteiro destaca protagonistas e memória apagada
Responsável pelo roteiro, a guia Vitória Mello afirmou que a visita foi pensada para exaltar figuras negras que tiveram papel decisivo na história do Brasil, mas cuja presença ainda recebe pouca atenção. Ela destacou que os atores trazem à cena personagens fundamentais e também apresentam ao público os 11 escravizados reconhecidos no Livro dos Heróis e Heroínas do Estado do Rio de Janeiro.
Segundo Vitória, a atividade busca recuperar protagonismos e incentivar um olhar mais crítico sobre os processos históricos que moldaram o país, valorizando trajetórias frequentemente invisibilizadas.
A visita, segundo organizadores e participantes, será incorporada a um calendário permanente, reforçando a missão do Palácio Tiradentes como espaço educativo e de preservação da memória negra.






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