Vídeo de câmera corporal desmente versão da PM sobre morte de mulher em SP

Imagens mostram que vítima não agrediu PM antes de ser baleada na Zona Leste; caso é investigado

O vídeo registrado pela câmera corporal de um policial militar trouxe novos elementos sobre a morte de Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, ocorrida na madrugada da última sexta-feira (3), na Zona Leste de São Paulo. As imagens indicam que a vítima não encostou no retrovisor da viatura nem iniciou qualquer agressão antes de ser baleada.

O caso aconteceu na Rua Edimundo Audran, em Cidade Tiradentes, e o material foi obtido pela TV Globo. A gravação também mostra que a policial Yasmin Cursino Ferreira deixou o veículo e caminhou em direção à mulher momentos antes do disparo.

No registro, a viatura aparece entrando na rua por volta das 2h58. Pouco depois, o retrovisor do carro atinge o braço de Luciano Gonçalvez dos Santos, marido de Thawanna, o que dá início a uma discussão no local.

Discussão começou após contato com viatura

Após o impacto, o policial que dirigia a viatura para o carro, dá ré e inicia um diálogo com o casal. Thawanna reage verbalmente, afirmando que os agentes haviam batido neles, mas não há registro de agressão física por parte dela.

Na sequência, a policial que estava no banco do passageiro desce do veículo e se dirige até a vítima. Pouco depois, o disparo é efetuado, resultando na morte de Thawanna.

As imagens reforçam a ausência de qualquer ataque prévio da vítima, o que contraria a versão inicial apresentada pela agente envolvida na ocorrência.

Policial alegou agressão após o disparo

Ainda conforme o vídeo, o policial que utilizava a câmera questiona a colega sobre o tiro. Ele pergunta se ela havia atirado e qual teria sido o motivo.

A resposta da policial foi que Thawanna teria desferido um tapa em seu rosto. No entanto, essa suposta agressão não aparece nas imagens captadas pela câmera corporal.

Uma segunda viatura chegou ao local por volta das 3h, e o socorro foi prestado posteriormente, mas a vítima não resistiu.

Caso é investigado pelo Ministério Público

O Ministério Público de São Paulo instaurou um procedimento para apurar as circunstâncias da morte. A investigação busca esclarecer a conduta dos policiais envolvidos e a legalidade da ação.

Enquanto isso, os agentes foram afastados do serviço operacional. O caso segue sob análise e pode resultar em responsabilização administrativa e criminal, dependendo das conclusões das autoridades.

Veja o vídeo:

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