Toma, Muralha da China! Desde 1754, de peito estufado, dizendo ser tão grande que poderia ser vista do espaço, a partir dos anos 1960, a imensa construção perdeu essa moral com o advento das viagens espaciais tripuladas. Astronautas como Neil Armstrong e Yang Liwei — primeiro taikonauta (astronauta) chinês em órbita — afirmaram que não conseguiram enxergar a Muralha da China a olho nu do espaço. Principalmente porque a estrutura é estreita (em média de 6 a 10 metros de largura), tem cor semelhante ao solo ao redor e se mistura com a paisagem.
O Brasil não tem nenhuma construção que se assemelhe em tamanho, mas tem coisa muito melhor: uma praia. Mas uma praia tão extensa que, esta sim, pode ser vista da órbita terrestre. A Praia do Cassino, no litoral sul, é mais que uma imensa linha de areia. É um universo de paisagens naturais, aventura, cultura e história, aliado a uma infraestrutura consolidada. Ideal para quem busca esportes ao ar livre, descanso, ou simplesmente se encantar com a magnitude do mar. Seja para um fim de semana ou uma estadia prolongada, vale descobrir essa joia do litoral gaúcho.
Extensão e reconhecimento
A Praia do Cassino, localizada no município de Rio Grande (RS), é reconhecida como a maior praia em extensão do mundo, com cerca de 240–254 km de faixa contínua de areia, de acordo com o Guinness Book, o livro dos recordes. Essa imensidão inclui, além do Cassino, as praias contíguas de Hermenegildo e Barra do Chuí, consolidando-a como a maior extensão de areia ininterrupta no país. Essa imensidão toda favorece atividades como longas caminhadas, ultramaratonas na areia e uso de veículos automotores diretamente na orla.
Atrações naturais e históricas
Entre os principais atrativos da Praia do Cassino estão os dois molhes (estruturas costeiras construídas para proteger portos, canais de navegação e evitar o assoreamento) da Barra do Rio Grande: duas imponentes obras de engenharia que se estendem cerca de 4 km mar adentro. No Molhe Oeste, é possível fazer um passeio de “vagoneta a vela” ou de barco, com chance de avistar golfinhos e mergulhões. Outros podem se deleitar em uma visita ao que restou do cargueiro Altair, que naufragou em 1976 a 21KM dos molhes, na direção sudoeste.
Figurinha fácil entre os visitantes, a erosão causada pela ação do mar já causou danos significativos ao navio, e há relatos de que ele pode desaparecer em breve. Mas se esse negócio de ruína de navio não for sua diversão favorita, pode-se visitar os faróis como o do Albardão e Sarita: marcos históricos da navegação, sendo o Albardão um dos mais isolados do Brasil, acessível apenas por veículos 4×4 e guias especializados.

Ecoturismo e esportes
Com dunas que chegam a 20 metros de altura, a praia oferece ótimas condições para caminhadas, esportes como sandboard, e trilhas sobre paisagens costeiras. O mar favorece atividades como surf, windsurf, kitesurf e stand-up paddle, com escolas e instrutores locais disponíveis, mas se prepare: a água tem temperaturas congelantes e venta muito o ano todo. A praia também é palco para eventos esportivos como o Cassino Ultra Race, uma ultramaratona de até 230 km!
Fauna, Flora e Conservação
A extensão costeira abrange ecossistemas diversos, incluindo a Reserva do Taim — uma propriedade pública que foi declarada uma área de interesse ecológico, com um vasto sistema lagunar parcialmente formado pelas lagoas Mirim, Jacaré, Nicola e Mangueira—, dunas, lagoas e campos. É possível observar toninhas, lobos-marinhos, aves migratórias e até pinguins durante o inverno. Projetos de conservação, como o Centro de Recuperação de Animais Marinhos (CRAM), trabalham com fins educativos e de preservação da biodiversidade local, resgatando anualmente cerca de 400 animais diversos que saem da Antártida em busca de mares mais quentes.
Cultura, eventos e gastronomia
A Praia do Cassino pulsa vida o ano inteiro. Eventos culturais como o carnaval local, a Festa de Iemanjá e a Semana do Mar (com diversas atividades esportivas, culturais e de lazer) atraem milhares de pessoas de todo o país. A gastronomia é rica em frutos do mar _ camarões, ostras, anchovas — além, claro, do tradicional churrasco gaúcho. Quiosques, bares e churrascarias garantem sabores locais e ambientes acolhedores à beira-mar.
O que saber antes de ir
Prefira visitar entre dezembro e janeiro, quando o clima está mais favorável para banhos de mar, trilhas e esportes. Aluguéis de buggies ou quadriciclos custam por volta de R$ 50 e garantem acesso fácil às dunas e pontos remotos. Há empresas e profissionais que oferecem serviços de filmagem do seu passeio. Mas o preço é mais salgado que a água do mar.
Uma filmagem simples começa em mil reais e projetos mais elaborados, com muitas horas de gravação, edição profissional, correção de imagem, adição de efeitos especiais e outros elementos, podem ultrapassar os R$ 5 mil. Use protetor solar e leve água, sobretudo para longas caminhadas ou passeios nos molhes. E não esqueça da regrinha básica de qualquer aventura na natureza: deixe o lugar onde você passou melhor do que quando você encontrou.
Como chegar?
Se você for de carro, saindo de Porto Alegre, são cerca de 330 km (aproximadamente 4h30 de viagem), seguindo pela BR-116 até Pelotas e, em seguida, pela BR-392 até Rio Grande. De lá, basta seguir pela Estrada do Cassino até a orla. De ônibus, empresas como a Expresso Embaixador oferecem linhas regulares entre Porto Alegre, Pelotas e Rio Grande.
De Rio Grande ao Cassino, há ônibus urbanos circulares frequentes durante o ano todo, especialmente no verão. Se você privilegiar o conforto em ao menos uma parte da viagem, o aeroporto mais próximo é o de Pelotas, que fica a cerca de 65km da Praia do Cassino. As passagens de ida e volta costuma custar por volta de R$ 500.






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