Preso por extorsão, o delegado Maurício Demétrio ironizou a morte da vereadora Marielle Franco, assassinada em 14 de março de 2018. Ele perguntou onde seria a “comemoração” do assassinato em uma mensagem enviada depois do crime. A conversa foi encontrada em um dos 12 celulares apreendidos em seu apartamento na Barra da Tijuca (RJ).
A informação consta na decisão do juiz Bruno Rulière, que julga o delegado na 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital. O juiz diz que o delegado fez várias “manifestações inaceitáveis” nos aparelhos. Ele também ofendeu Adriana Belém, delegada aposentada investigada por ligação com o jogo do bicho.
“Refere-se de forma racista a uma delegada chamando-a de ‘macaca escrota’ e ‘crioula’”, relata o juiz. As duas declarações foram retiradas de uma conversa com o delegado Allan Turnowski, que ocupava um cargo na diretoria da Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro) na ocasião.
Há outras falas racistas por parte do réu nas conversas, como chamar o Brasil de “macacolândia”. A conduta encontrada nos diálogos pesou na sua condenação. Ele foi sentenciado a nove anos de prisão por três crimes de obstrução à Justiça.
O juiz Rulière ainda determinou a perda do cargo de delegado na Polícia Civil. Os outros crimes, como organização criminosa, concussões e lavagem de dinheiro, ainda serão julgados.
Demétrio é apontado como chefe de grupo criminoso formado por policiais civis de sua confiança, peritos, advogados e comerciantes. Ele foi denunciado pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio (MPRJ).
Com informações do Diário do Centro do Mundo





