A ascensão de Eduardo Paes nas eleições municipais do Rio de Janeiro de 2024

Subida expressiva do prefeito candidato à reeleição reflete o sucesso da estratégia adotada no início oficial da campanha, consolidando sua posição como o grande favorito para vencer a eleição

* Paulo Baía

O cenário eleitoral para a prefeitura do Rio de Janeiro em 2024 começa a se consolidar com a liderança expressiva do atual prefeito, Eduardo Paes (PSD). De acordo com a pesquisa Quaest divulgada em 28 de agosto de 2024, Paes disparou na corrida eleitoral, alcançando 60% das intenções de voto, um aumento significativo de 11 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, realizada em julho. Essa subida expressiva reflete o sucesso da estratégia adotada pelo prefeito no início oficial da campanha, consolidando sua posição como o grande favorito para vencer a eleição.

A pesquisa aponta que, enquanto Paes se distancia dos demais concorrentes, o deputado federal Alexandre Ramagem (PL), que conta com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, encontra-se em um distante segundo lugar, com apenas 9% das intenções de voto. Tarcísio Motta (PSOL), outro nome de relevância na disputa, aparece com 5%. Essa distribuição dos votos evidencia um cenário de pouca competitividade, onde Paes parece caminhar de forma sólida para a reeleição.

Um dos pontos centrais que explicam o avanço de Eduardo Paes é a aprovação de sua gestão, que também foi medida pela pesquisa Quaest. A administração do atual prefeito é considerada boa ou ótima por 51% dos entrevistados, um aumento de 6 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior. Apenas 13% dos eleitores avaliam seu governo como ruim ou péssimo, uma diminuição de 5 pontos percentuais. Esses números indicam que Paes conseguiu não apenas manter, mas ampliar sua base de apoio, um reflexo da eficácia das políticas públicas implementadas durante seu mandato.

A estratégia de Paes parece estar calcada em dois pilares principais: a continuidade das obras e projetos que melhoram a infraestrutura da cidade e uma comunicação eficiente com a população. Nos últimos meses, o prefeito tem intensificado a inauguração de novas obras e a entrega de melhorias em diversas áreas da cidade, o que contribui para a percepção positiva de sua administração. Além disso, Paes tem adotado uma postura proativa nas redes sociais e nos meios de comunicação tradicionais, onde se posiciona como o gestor que coloca o Rio de Janeiro em primeiro lugar, reforçando sua imagem de competência e capacidade de governar.

O crescimento na intenção de votos de Eduardo Paes também pode ser visto como resultado da falta de competitividade dos demais candidatos. Alexandre Ramagem, embora seja o principal adversário, não conseguiu capitalizar o apoio do bolsonarismo de maneira efetiva, recuando 4 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior. Tarcísio Motta, que tem uma base de apoio fiel, também perdeu terreno, oscilando 2 pontos para baixo. Esses dados sugerem que os eleitores ainda não enxergam em Ramagem ou Motta alternativas viáveis para a gestão da cidade, o que beneficia diretamente o atual prefeito.

Outro fator que joga a favor de Paes é a memória eleitoral dos cariocas, que associam seu nome a um período de realizações importantes para a cidade, como a revitalização da Zona Portuária e a implementação de projetos de mobilidade urbana. Essa recordação positiva se soma à percepção de que, apesar dos desafios econômicos e sociais que o Rio de Janeiro enfrenta, Paes é o candidato mais preparado para enfrentá-los. A mensagem de continuidade, de que é preciso dar continuidade ao trabalho que vem sendo realizado, parece ter ressonado de forma eficiente entre os eleitores.

O sucesso inicial da campanha de Eduardo Paes, no entanto, não deve ser visto como uma garantia absoluta de vitória. Embora a vantagem seja ampla, a eleição ainda está em curso e imprevistos podem ocorrer. É possível que os adversários reavaliem suas estratégias e busquem formas de diminuir a diferença nas intenções de voto. No entanto, o grande desafio para os opositores de Paes será convencer os eleitores de que representam uma alternativa viável e, mais importante, que podem fazer uma gestão melhor do que a atual.

Em suma, a estratégia adotada por Eduardo Paes no início oficial da campanha tem se mostrado extremamente eficaz. Sua liderança nas pesquisas reflete não apenas a aprovação de seu governo, mas também a falta de uma oposição capaz de fazer frente ao seu projeto. Com 60% das intenções de voto, Paes parece estar a caminho de consolidar mais um mandato à frente da prefeitura do Rio de Janeiro, mas a campanha segue e, como em toda disputa eleitoral, cada movimento pode ser decisivo. Por enquanto, o prefeito se mantém firme na liderança, respaldado por uma gestão que, segundo a opinião pública, tem feito a diferença na vida dos cariocas.

* Sociólogo, cientista político e professor da UFRJ

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