RICARDO BRUNO
É precoce qualquer análise mais profunda sobre às próximas eleições municipais. O quadro de candidaturas não está definido e isto impede prospecções mais assertivas. A conjuntura, contudo, nos dá pistas seguras dos rumos a seguir. A principal sinalização aponta para reeleição tranquila de Eduardo Paes.
Há pelo menos três fatores a corroborar a tese: 1) a melhora expressiva da avaliação do prefeito, com um pacote de entregas importantes nas áreas de transporte (BRT) e saúde; 2) a parceria político-administrativa bem-sucedida com o presidente Lula, cuja aprovação crescente “contamina” positivamente a gestão de Eduardo Paes, 3) e a falta de adversários competitivos com musculatura eleitoral capaz de oferecer resistência à notória superioridade de quem já está sentado na cadeira.
Os nomes apresentados como virtuais opositores no pleito não são exatamente candidatos efetivos ao cargo, visam exclusivamente aproveitar a campanha para fortalecer predicados pessoais, melhorar a imagem, com vistas a 2026. Fazem da eleição um cenário para movimentos estratégicos.
São políticos argutos, de atuação eficiente no campo ideológico em que militam, mas sem potencial eleitoral testado para empreitadas de maior fôlego. O deputado Rodrigo Amorim (Patriota) tenta consolidar a persona pública de líder do conservadorismo identificado com Jair Bolsonaro. Se cumprir este papel, se capitaliza para se tornar o principal representante deste naco do eleitorado, órfão do radicalismo descerebrado de Daniel Silveira.
O deputado Otoni de Paula (MDB) entra na disputa com o mesmo propósito: granjear apoios nas franjas conservadoras do eleitorado evangélico. Trata-se igualmente de estratégia de autoconstrução de imagem e não exatamente de uma candidatura à vera.
Ex-secretário estadual do Meio Ambiente no governo de Pezão (MDB), em 2014, e ex-secretário municipal de Habitação de Paes (DEM), em 2015, o senador Carlos Portinho (PL) é um dos políticos mais preparados do Congresso Nacional. É de longe o melhor senador do estado do Rio de Janeiro. Falta-lhe, contudo, algo precioso no meio em que milita: voto.
Foi candidato a vereador em 2016 e obteve 7.104 sufrágios, não se elegendo. Com a morte de Arolde de Oliveira, herdou um mandato de seis anos. A despeito do bom trabalho realizado em Brasília, precisa com urgência da exposição pública do processo eleitoral para assegurar uma vaga de deputado federal em 2026. Participar do jogo lhe é essencial neste sentido.
O secretário estadual de Saúde, Dr. Luizinho, ensaia a candidatura também visando projetos futuros. No seu caso, não exatamente garantir a reeleição como deputado federal. Ele tem votos arraigados na Baixada Fluminense, especialmente em Nova Iguaçu, que lhe asseguram a recondução com tranquilidade. Embora não diga, Luizinho sonha em disputar o Governo do Estado em algum momento; prepara-se para isto. Este é o seu projeto central. A candidatura à Prefeitura do Rio teria o condão de catapultar seu nome para patamar mais amplo; lhe daria trânsito e dimensão estadual.
O único a fugir deste figurino é o general Braga Netto. Exatamente, por isto, não deve disputar. O ex-ministro não tem estratégias paralelas; só seria candidato se enxergasse chances reais de vitória. O favoritismo de Eduardo Paes, atestado pelas pesquisas, o desestimula a, a esta altura da vida, a participar do que seria uma absoluta aventura eleitoral.
Recentemente, Braga Netto emplacou a filha num cargo em comissão na Prefeitura do Rio. A nomeação foi acertada pelo vice Nilton Caldeira diretamente com Eduardo Paes, com a aquiescência do ex-assessor de Bolsonaro. Seria um contrassenso esse movimento se ele tivesse, de fato, pretensões de enfrentar o prefeito meses depois.
Diante deste quadro de adversários frágeis, Paes tem o desafio de consolidar a liderança com arranjos eleitorais assertivos. A aliança com PT, por exemplo, avançou enormemente durante a estada do presidente Lula no Rio. A relação está se tornando cada vez indissolúvel. Isso não significa dizer que o partido de Lula tem garantia da vaga de vice na chapa. Vai depender da situação política do líder petista em 2024.
Se Lula estiver ainda mais forte, como começam a exibir as pesquisas, dificilmente o prefeito terá condições políticas de negar espaço ao PT em sua chapa. Neste caso, o nome mais cotado seria o do ex-vereador Adilson Pires, que tem irrestrita confiança de Paes, de quem já fora vice inclusive.
Se, por percalços da política nacional, Lula se fragilizar no curso do próximo ano, Eduardo Paes poderia se apresentar com uma chapa puro-sangue: leia-se Pedro Paulo como vice. E o PT, embora não admita publicamente, compreenderia a atitude e, ainda assim, lhe hipotecaria apoio.
Em resumo, a sorte de Pedro Paulo depende dos rumos do governo Lula em 2024.
O tempo, mais uma vez, será o senhor da razão.





