* Paulo Baía
A recente pesquisa Datafolha, divulgada em 22 de agosto de 2024, reforça a liderança consolidada do prefeito Eduardo Paes (PSD) na corrida pela Prefeitura do Rio de Janeiro. Com 56% das intenções de voto, Paes apresenta uma vantagem substancial sobre os demais candidatos, indicando uma possível vitória já no primeiro turno. Esse cenário se mantém estável em relação à pesquisa anterior, demonstrando a solidez de sua candidatura.
A disputa pela segunda colocação mostra uma competição acirrada entre Alexandre Ramagem (PL), que aparece com 9%, e Tarcísio Motta (PSOL), com 7%. Ambos os candidatos estão tecnicamente empatados dentro da margem de erro de três pontos percentuais. Essa oscilação sugere que, embora Paes esteja bem posicionado, ainda há espaço para movimentações entre os eleitores que não optaram pelo atual prefeito.
Outros candidatos, como Rodrigo Amorim (União Brasil), com 3%, e Marcelo Queiroz (PP), com 2%, continuam distantes dos principais concorrentes. Este panorama evidencia a dificuldade que os candidatos fora do trio principal têm em alcançar uma base significativa de eleitores.
A pesquisa, realizada entre os dias 20 e 21 de agosto, entrevistou 1.106 eleitores e revela que 13% ainda pretendem votar em branco ou nulo, e 5% estão indecisos. Esses números indicam uma certa apatia ou insatisfação com as opções apresentadas até o momento, o que pode influenciar na reta final da campanha.
A popularidade de Paes pode ser atribuída à sua gestão atual, que, apesar de críticas e desafios, parece ter mantido um nível de aprovação suficiente para garantir sua posição de destaque. O apoio ao prefeito é refletido na baixa rejeição de sua candidatura e na percepção de continuidade que sua campanha oferece, fatores que são essenciais em uma eleição marcada pela ausência de uma grande polarização ideológica ou por um candidato opositor forte o suficiente para ameaçar seu domínio.
Por outro lado, a campanha de Ramagem, que tenta se estabelecer como uma alternativa viável, enfrenta dificuldades para romper a barreira de apoio a Paes. Sua posição como segundo colocado ainda é frágil, dependendo da capacidade de atrair os eleitores indecisos e daqueles que rejeitam o status quo.
Tarcísio Motta, tradicionalmente associado a pautas mais à esquerda, mantém uma base fiel, mas encontra desafios para ampliar seu alcance além do eleitorado habitual do PSOL. Sua estratégia dependerá de mobilizar esse eleitorado e tentar captar o voto dos descontentes com as opções mais à direita.
Em resumo, o cenário eleitoral no Rio de Janeiro parece caminhar para uma reeleição de Eduardo Paes, a menos que surjam mudanças significativas nas próximas semanas. A manutenção de sua liderança depende de evitar erros que possam mobilizar a oposição ou desestabilizar sua base de apoio. Enquanto isso, seus adversários precisarão redobrar os esforços para se destacarem em uma campanha que, até agora, favorece a continuidade.
Essa análise destaca a importância das próximas semanas para definir se o Rio de Janeiro seguirá com Paes ou se haverá uma virada inesperada que mude o rumo da disputa.
* Sociólogo, cientista político e professor da UFRJ.





