Às vésperas do genocídio em Gaza completar um ano, milhares de pessoas protestam pelo mundo contra Israel (veja fotos e vídeo)

Apoiadores pró-Palestina tomaram as ruas em cidades da Europa, África e Américas

Milhares de manifestantes marcharam neste sábado em Washington, Londres, Paris, Madri, Caracas e Cidade do Cabo para pedir um cessar-fogo em Gaza e no Líbano, em referência ao primeiro aniversário do genocídio que Israel comete em Gaza sob justificativa de retaliação ao Hamas — que atacou o país sionista em 7 de outubro passado.

Ativistas pró-Palestina protestaram em cidades da Europa, África e Américas, exigindo o fim dos ataques israelenses — que já deixaram quase 42 mil mortos na Faixa de Gaza, no início de uma série de manifestações organizadas.

Ativistas e apoiadores pró-palestinos cruzam o centro de Londres — Foto: JUSTIN TALLIS / AFP
Ativistas e apoiadores pró-palestinos cruzam o centro de Londres — Foto: JUSTIN TALLIS / AFP
Em Paris, manifestantes erguem faixa pedindo o fim do genocídio na Faixa de Gaza — Foto: STEPHANE DE SAKUTIN / AFP
Em Paris, manifestantes erguem faixa pedindo o fim do genocídio na Faixa de Gaza — Foto: STEPHANE DE SAKUTIN / AFP

Dezenas de protestos e memoriais estão programados em todo o mundo pelo primeiro aniversário do ataque do Hamas a Israel, que deixou 1.205 mortos, principalmente civis, e 251 reféns (97 deles ainda estão sob cativeiro).

Em Washington, um homem que se identificou como jornalista tentou se imolar durante uma marcha de mais de mil pessoas em frente à Casa Branca, exigindo o fim da ajuda militar dos EUA a seu aliado estratégico no Oriente Médio.

Manifestação na Cidade do Cabo, na África do Sul, pede liberdade à Palestina — Foto: RODGER BOSCH / AFP

Manifestação na Cidade do Cabo, na África do Sul, pede liberdade à Palestina — Foto: RODGER BOSCH / AFP

Em Washington, um manifestante ateou fogo ao próprio corpo em protesto contra a guerra em Gaza. Policiais conseguiram conter o homem e levá-lo a salvo para um hospital — Foto: Ting Shen / AFP
Em Washington, um manifestante ateou fogo ao próprio corpo em protesto contra a guerra em Gaza. Policiais conseguiram conter o homem e levá-lo a salvo para um hospital — Foto: Ting Shen / AFP

Pedestres e policiais conseguiram apagar as chamas. A polícia afirmou que “seus ferimentos não ameaçam sua vida”. Na foto acima, um dos policiais aparece segurando uma kefia — tradiconal lenço palestino — com a qual parece ter tentado apagar o fogo nos braços do ativista.

O protesto mais numeroso ocorreu em Nova York, com milhares de pessoas concentradas na Times Square, algumas com fotos dos mortos em Gaza durante a guerra.

— Como americanos, estamos fartos de que nossos impostos sejam usados para Israel bombardear crianças na Palestina e depois no Líbano — disse Daniel Pérez.

Em Londres, manifestantes de todo o país, portando cartazes e bandeiras palestinas e libanesas, percorreram o centro da capital britânica, entoando palavras de ordem como “Cessar-fogo agora!”, “Do rio ao mar, a Palestina será livre!” e “Fora do Líbano”.

Israel lançou uma operação terrestre no Líbano e prometeu responder ao recente ataque com mísseis vindos do Irã, o que levanta temores de que o conflito se transforme em uma guerra mais ampla no Oriente Médio.

Exemplo da polarização internacional em torno da violência na região são as manifestações programadas em apoio tanto a Israel quanto aos palestinos em todo o mundo, às vezes com eventos rivais na mesma cidade.

“Quantos mais precisam morrer?”

Em Madri, manifestantes pró-Palestina pedem o fim do envio de armas para Israel — Foto: RODGER BOSCH / AFP
Em Madri, manifestantes pró-Palestina pedem o fim do envio de armas para Israel — Foto: RODGER BOSCH / AFP

O protesto em Londres foi comandado, entre outros, pelo ex-líder trabalhista Jeremy Corbyn e pelo ex-primeiro-ministro escocês Humza Yousaf.

— Precisamos de um cessar-fogo, um cessar-fogo agora. Quantos mais palestinos ou libaneses inocentes precisam morrer? — questionou Sophia Thomson, de 27 anos.

Vários manifestantes seguravam cartazes dizendo “Starmer tem sangue nas mãos”, em referência ao primeiro-ministro britânico. Starmer pediu um cessar-fogo em Gaza e a libertação dos reféns detidos pelo Hamas, além de ter suspendido algumas licenças de armas para Israel — mas o Reino Unido não cessou totalmente de vender armamento para o país sionista.

Em Roma, uma marcha com milhares de participantes acabou em confrontos entre manifestantes pró-Palestina e a polícia, com arremesso de garrafas, fogos de artifício, gás lacrimogêneo e canhões de água, segundo repórteres da AFP.

“Queremos que Gaza seja livre!”, “A revolução começou em 7 de outubro!”, “A Itália deve parar de vender e enviar armas para Israel, devemos parar imediatamente o genocídio em Gaza!” e “Israel, um estado criminoso!”, gritavam os manifestantes.

Em Berlim, a polícia informou que deteve 26 pessoas que insultaram uma marcha pró-Israel.

“A humanidade morreu em Gaza”

Em Caracas, manifestantes exigem a prisão do premier israelense Benjamin Netanyahu por crimes contra a humanidade — Foto: Juan BARRETO / AFP
Em Caracas, manifestantes exigem a prisão do premier israelense Benjamin Netanyahu por crimes contra a humanidade — Foto: Juan BARRETO / AFP

Em Madri, o protesto reuniu cerca de 5 mil pessoas, com cartazes dizendo “Boicote a Israel” e “A humanidade morreu em Gaza”. Os manifestantes pediram ao presidente Pedro Sánchez que rompa relações diplomáticas com Israel.

Em Caracas, centenas de simpatizantes do governo de Nicolás Maduro e membros da comunidade árabe na Venezuela protestaram em frente à sede da ONU.

Marcha em Caracas marca um ano da guerra em Gaza: manifestantes estendem bandeira palestina em frente à sede da ONU na capital venezuelana — Foto: Juan BARRETO / AFP
Marcha em Caracas marca um ano da guerra em Gaza: manifestantes estendem bandeira palestina em frente à sede da ONU na capital venezuelana — Foto: Juan BARRETO / AFP

Com uma bandeira de 25 metros da Palestina e gritos de “Viva a Palestina livre!” e “Irã, Irã, ataque Tel Aviv”, os chavistas entregaram um documento à organização pedindo o fim do “genocídio” do povo palestino.

“Israel é sangue e destruição”, lia-se em alguns cartazes.

— Resoluções não vão parar isso. Onde estão os capacetes azuis? Onde estão as forças de paz? — disse à AFP o professor universitário Jesús Reyes, de 53 anos.

Em Paris, várias centenas de pessoas marcharam para mostrar sua “solidariedade com os palestinos e libaneses”, enquanto em Dublin, vários manifestantes apoiaram os habitantes de Gaza com gritos de “liberdade e justiça para os palestinos”.

Na cidade suíça da Basileia, milhares de pessoas também pediram sanções econômicas contra Israel e o fim da cooperação científica da Suíça com o Estado israelense.

Na África do Sul, no centro da Cidade do Cabo, centenas de pessoas marcharam com bandeiras palestinas, gritando palavras de ordem anti-Israel, como “Israel é um estado racista”.

Muitos manifestantes usavam os tradicionais lenços palestinos chamados de “kefias” e marcharam em direção ao Parlamento sul-africano.

Muitos deles apoiaram a denúncia da África do Sul no Tribunal Internacional de Justiça (CIJ). Pretória sustenta que a ofensiva israelense em Gaza viola a Convenção da ONU contra o Genocídio de 1948.

Com informações do GLOBO.

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