WILSON WITZEL ESTUDA A POSSIBILIDADE DE RENUNCIAR

RICARDO BRUNO Além das falhas morais imperdoáveis conhecidas e de sua notória falta de traquejo para a articulação, o governador Wilson Witzel incorpora outros traços a sua personalidade egocêntrica. Um deles é a capacidade de surpreender no cálculo político para tirar o melhor proveito de situações aparentemente adversas. A despeito da habitual fanfarronice sobre a…

RICARDO BRUNO

Além das falhas morais imperdoáveis conhecidas e de sua notória falta de traquejo para a articulação, o governador Wilson Witzel incorpora outros traços a sua personalidade egocêntrica. Um deles é a capacidade de surpreender no cálculo político para tirar o melhor proveito de situações aparentemente adversas.

A despeito da habitual fanfarronice sobre a disposição de lutar para provar a inocência, o juiz Witzel sabe da gravidade dos atos que cometeu. Tem a perfeita dimensão dos obstáculos políticos e jurídicos que lhe estão postos. Abandonado pelos amigos – os principais estão presos – e isolado politicamente à direita e à esquerda, o governador afastado se encontra à beira do cadafalso, restando-lhe poucas saídas.

Em seu degredo no Palácio Laranjeiras, experimenta a solidão aterradora de um poder que se esvaiu na mesma medida da enorme onda de corrupção que destruíra seu governo. Não tem sido visitado, tampouco lembrado pela legião de amigos e colaboradores que o cercavam nas tertúlias de fim de expediente – regadas a vinho e charutos cubanos. O celular não toca e o whattsapp já não atrapalha com as mensagens frenéticas de meses atrás. Vive o desterro absoluto.

Imerso neste esquecimento abrupto e precoce, após apenas 18 meses de governo, Witzel tem admitido a possibilidade de renunciar ao mandato. Assim, preservaria seus direitos políticos e poderia se candidatar a deputado federal em 2022, com a providencial obtenção de imunidade parlamentar.

O anúncio de que irá fazer a defesa presencialmente no plenário da Alerj na próxima quarta-feira, quando o impeachment será votado pelo plenário, fez aumentar as especulações de que ele, na verdade, prepara o ato de renúncia. E o faria no Palácio Tiradentes, palco de momentos históricos da república brasileira.

Wilson Witzel sabe do caráter irreversível de sua condenação na Alerj; tem perfeita noção de que, a essa altura, esforços cênicos na tribuna do parlamento pouco adiantam. Há evidências de sobra de que os deputados, em maioria acachapante, entendem que ele praticou crime de responsabilidade.

Nas redes sociais, o tema já é objeto de debate. O deputado Renan Ferreirinha (PSB) fez postagem discutindo a possibilidade. Em conversa com a Agenda do Poder, acrescentou:

-Ele precisa ter a humildade para saber que seu tempo se esgotou. São muitas evidências de que não dá mais: 69×0 na primeira votação na Alerj; 14×1 no STJ e agora 24×0 na comissão. É melhor para o Rio que este processo seja abreviado com uma transição mais rápida e menos traumática. E melhor também para ele. Bom pra todos

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