Washington Reis será reconduzido ao comando do MDB e vai anunciar apoio a Eduardo Paes

Ato com lideranças nacionais do partido no Rio marca recondução de Washington Reis e reforça aliança com o prefeito carioca na corrida eleitoral

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Com a presença de caciques do MDB nacional, o ex-prefeito Washington Reis será reconduzido ao comando do partido em ato nesta quinta-feira, na histórica sede do edifício Piauí, na Avenida Almirante Barroso. Mais do que a celebração de sua permanência na liderança emedebista, o encontro vai servir de palco para o anúncio do apoio do principal chefe político da Baixada Fluminense à candidatura de Eduardo Paes.

Washington Reis não confirma publicamente a decisão, mas o histórico da relação entre ambos indica que o alinhamento é praticamente inevitável. A aliados, Reis tem dito que só haveria uma possibilidade de não marchar ao lado do prefeito do Rio: obter aval do STF para disputar o pleito. Como seu caso continua sem solução no âmbito judicial, ele renunciou à candidatura, mas seguirá atuando como um player de peso no processo eleitoral.

Enxadrista político forjado em mais de 30 anos de vida pública, vai tentar emplacar a indicação do candidato a vice. Ao renunciar a candidatura, ele logo avisou que não sairá do jogo. O ato desta quinta-feira será mais um lance da partida.

Entenda por que Reis e Paes estarão juntos

O apoio de Reis a Paes contribui para desfazer a mística de que o prefeito do Rio seria um político ensimesmado, com parcerias restritas a poucos aliados. Reis é um representante eloquente da chamada “política” fluminense tradicional. Prefeito de Duque de Caxias por dois mandatos, conseguiu eleger o sobrinho, Netinho Reis, prefeito da cidade, apesar de prognósticos iniciais apontarem a vitória do oponente, José Camilo dos Santos Zito. A vitória folgada do sobrinho consolidou Washington Reis como a principal liderança política da Baixada.

Reis e Paes são parceiros políticos de longa data. Em 2008, ele teve atuação decisiva para levar o amigo — à época no PSDB — para o MDB. Chegou a se indispor com o então líder do MDB fluminense, Jorge Picciani, ao articular a filiação de Paes à sigla, legenda pela qual ele viria a se eleger prefeito do Rio pela primeira vez. Em 2012, quando Paes foi reeleito, Washington esteve novamente ao seu lado na campanha. Também em 2018, na eleição em que Paes fora derrotado por Wilson Witzel na disputa do Governo do Estado, Reis atuou firmemente pela candidatura do amigo na Baixada Fluminense.

Recentemente, Paes retribuiu os gestos de apreço e consideração ao tentar ajudá-lo a destravar sua situação no STF. A iniciativa do prefeito em favor de um potencial adversário nas urnas não foi compreendida por setores da política. Aos que questionavam a aparente incoerência, Paes justificava com base no histórico da relação pessoal entre ambos. Avaliava que, sem se livrar das amarras do Judiciário, Reis não disputaria a eleição e guardaria gratidão pelo gesto.

Nas eleições de 2024, Paes entregou o diretório do PSD em Duque de Caxias à família Reis como sinal de aliança. Nos últimos anos, publicou vídeos ao lado dos irmãos Reis, ampliando a pressão sobre rivais na política da Baixada. No ano passado, em reunião com Reis — então secretário de Transportes do governo Cláudio Castro —, afirmou em evento público que estaria sempre ao lado do ex-prefeito de Caxias. A declaração provocou repercussão e especulações nos bastidores e, ao que tudo indica, antecipava os desdobramentos que agora se confirmam.

O MDB tem três vereadores na capital — Rodrigo Vizeu, Vitor Hugo e Renato Moura —, que já atuam como aliados de Eduardo Paes nas votações estratégicas da Câmara do Rio.

As prováveis presenças do presidente nacional, Baleia Rossi, e do ex-presidente Michel Temer emprestarão peso político ao ato.

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