‘Vitória histórica que honra todos os que se foram’: presa e torturada na ditadura, Dilma dá depoimento emocionante sobre ‘Ainda Estou Aqui’

Ex-presidente lembra que Comissão da Verdade, criada em seu governo, abriu arquivos sobre crimes do regime militar

Na madrugada desta segunda-feira (3), a ex-presidenta Dilma Rousseff compartilhou um emocionante discurso nas redes sociais, celebrando a conquista histórica do longa-metragem “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles e estrelado por Fernanda Torres, que recebeu o Oscar de Melhor Filme Internacional. O pronunciamento de Dilma carrega um simbolismo profundo, pois, assim como Rubens Paiva, interpretado no filme por Selton Mello, ela foi vítima da ditadura militar, sendo presa e torturada. O filme retrata a luta de Eunice Paiva para esclarecer as circunstâncias da morte de seu marido, que foi assassinado pelo regime repressivo.

Além disso, foi a criação da Comissão Nacional da Verdade durante o governo de Dilma que permitiu ao escritor Marcelo Rubens Paiva recontar a história de sua família no livro que inspirou o filme premiado. Em sua declaração, Dilma destacou: “O Oscar de Melhor Filme Internacional para Ainda Estou Aqui é um reconhecimento da força da cultura brasileira. Uma homenagem merecida ao nosso cinema, ao diretor Walter Salles, às atrizes Fernanda Torres e Fernanda Montenegro, ao ator Selton Mello e a toda a equipe do filme. Nossa emoção é ainda maior porque a premiação celebra uma obra que presta tributo à civilização, à humanidade e aos brasileiros que sofreram com a extinção das liberdades democráticas, lutando contra a ditadura militar.”

“Reverência aos que combatem o fascismo”

A ex-presidenta também enfatizou a importância da história de Rubens Paiva e de sua família, mencionando a busca incansável de Eunice Paiva pela verdade e justiça: “É motivo de orgulho saber que a história de Rubens Paiva e de sua família — especialmente a busca incansável de Eunice Paiva pela verdade e pela justiça — pôde ser contada graças ao trabalho da Comissão Nacional da Verdade, que criei durante meu governo para investigar os crimes da ditadura. Trata-se de uma vitória internacional histórica, que honra a todos os que se foram, assim como reverencia aqueles que ainda estão aqui, defendendo a democracia e combatendo o fascismo. Meus aplausos a todos que tornaram esse filme possível.”

Marcelo Rubens Paiva, filho do ex-deputado e engenheiro Rubens Paiva, morto pela ditadura militar na década de 1970, e da advogada Eunice Paiva, lutou a vida inteira para descobrir o paradeiro do pai. Em 2015, ele lançou o livro Ainda Estou Aqui, que narra o desaparecimento e a morte de seu pai e a incansável busca da mãe. O livro inspirou o filme, que tem emocionado plateias no Brasil e no mundo, acumulando prêmios em diversos festivais de cinema.

Filho de Rubens Paiva agradece Dilma por abrir arquivos

Diante do sucesso do longa, Marcelo agradeceu publicamente à ex-presidenta e à Comissão da Verdade em sua conta no X, afirmando: “Tenha dito! Por conta da Comissão da Verdade, tive elementos para escrever o livro Ainda Estou Aqui, e agora temos esse filme deslumbrante. E Dilma pagou um preço alto pelo necessário resgate da memória.”

Com informações da Revista Fórum

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