O Circo Voador, na Lapa, na região central do Rio, viveu uma noite histórica em 19 de junho deste ano. O público ainda não sabia, mas aquele seria o último show de Hermeto Pascoal no Brasil, às vésperas de completar 89 anos. O músico morreu neste sábado (13).
Além dele, naquela noite o palco recebeu Carlos Malta & Pife Muderno, Amaro Freitas Trio. O show de encerramento foi do multi-instrumentista alagoano, que levantou a plateia. Assista:
Após a noite no Circo, Hermeto e o grupo Nave Mãe partiram para uma turnê europeia, com nove apresentações em sete países, entre eles Espanha, Alemanha e Finlândia.
De volta ao Brasil, Hermeto estava escalado para o Festival Acessa BH, em Belo Horizonte, também neste sábado (13). Dois dias antes, a organização informou que, “por motivos de saúde”, o músico não subiria ao palco — mas sua banda manteve a apresentação.
Nos últimos anos, Hermeto seguia ativo em estúdio. Em 2024, lançou Pra você, Ilza, álbum de inéditas dedicado a Ilza Souza Silva, sua companheira por quase cinco décadas e mãe de seus seis filhos. O disco foi eleito pela APCA como um dos melhores do ano. No mesmo período, ganhou sua primeira biografia, Quebra tudo! – A arte livre de Hermeto Pascoal (Kuarup), assinada pelo jornalista Vitor Nuzzi.
O mais impressionante do mundo
Chamado de “o músico mais impressionante do mundo” por Miles Davis (1926–1991), Hermeto construiu uma trajetória única, transformando objetos do cotidiano — panelas, chaleiras, regadores, brinquedos infantis e até animais — em instrumentos de alta elaboração rítmica e harmônica. Autodidata, começou a tocar acordeom aos 10 anos, mas só passou a escrever partituras depois dos 40. Ele morava em Bangu, na Zona Oeste do Rio.






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