Uma operação de grande porte da Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrada na manhã desta terça-feira (10) resultou na descoberta de um bunker utilizado por atiradores de elite ligados a Álvaro Malaquias Santa Rosa, o “Peixão”, considerado um dos traficantes mais perigosos do estado. O esconderijo foi localizado no Complexo de Israel, na Zona Norte da capital, área sob domínio da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP). As informações são da colunista Mirelle Pinheiro, do portal Metrópoles.
A ofensiva, coordenada pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e delegacias da capital, Baixada e interior, tem como objetivo cumprir dezenas de mandados de prisão e de busca e apreensão contra integrantes da facção. Até as 9h, dez pessoas já haviam sido presas, e os policiais haviam encontrado, entre outros materiais, um fuzil escondido na pia de um banheiro e diversas barricadas erguidas pelos criminosos.
As investigações, que duraram sete meses, permitiram à polícia identificar 44 traficantes que ainda não tinham mandados em aberto. Com base nas provas reunidas, a Justiça concedeu novas ordens de prisão, reforçando o cerco à facção.
Veja abaixo os vídeos do bunker:
Estrutura de guerra e intimidação armada
Segundo a Polícia Civil, a organização criminosa liderada por Peixão opera de forma altamente estruturada e com forte aparato bélico nas comunidades de Vigário Geral, Parada de Lucas, Cidade Alta, Cinco Bocas e Pica-Pau. Além de dominar áreas com o uso de barricadas e drones para monitorar a movimentação de viaturas, o TCP impõe toque de recolher, exerce controle sobre serviços públicos e promove atos de intolerância religiosa como forma de coerção.
A operação desta terça revelou a existência de um núcleo especializado em ações de sabotagem e confronto direto com as forças de segurança. O grupo identificado teria como função monitorar viaturas, queimar ônibus e organizar protestos simulados, com o intuito de dificultar a atuação policial e manipular a opinião pública. Mais grave ainda, foi detectado um setor dedicado à tentativa de abater aeronaves policiais, formado por criminosos com treinamento específico e acesso a armamentos pesados.
As duas construções usadas como bases de ataque e abrigo para criminosos, inclusive o bunker com seteiras, foram alvo de mandado judicial de demolição. A medida visa desarticular as estruturas defensivas da facção e reduzir sua capacidade de enfrentamento armado.
“Peixão”: o comando por trás do terror
Álvaro Malaquias Santa Rosa, o “Peixão”, é apontado como o principal articulador das ações criminosas do TCP na região. De acordo com os investigadores, ele coordena uma estratégia de dominação territorial que inclui a intimidação sistemática de moradores, expulsão de rivais e ataques planejados contra agentes públicos.
A operação também visa apreender armas, drogas, rádios comunicadores, aparelhos eletrônicos, documentos e outros materiais que possam comprovar a participação dos alvos nas atividades da facção e subsidiar futuras denúncias criminais.
As investigações foram conduzidas pela DRE, com suporte da Delegacia Antissequestro (DAS), da 22ª DP (Penha) e da 33ª DP (Realengo), e integram um esforço mais amplo da Polícia Civil para desmantelar a estrutura do Terceiro Comando Puro, que vem se consolidando como uma das organizações criminosas mais violentas e sofisticadas em atuação no estado.
A operação ainda está em andamento, com buscas em diferentes pontos do Complexo de Israel e outras comunidades ligadas ao grupo. A expectativa é de novas prisões ao longo do dia, reforçando a ofensiva contra o narcotráfico no Rio de Janeiro.





