Durante uma operação realizada nesta terça-feira (10) no Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio de Janeiro, policiais civis encontraram uma construção com piscina na comunidade da Cidade Alta, reacendendo as suspeitas de que o espaço pudesse estar sendo preparado como nova área de lazer do traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão. A informação foi publicada pelo jornal O Globo.
A estrutura descoberta chama atenção pelas semelhanças com um antigo “resort” que teria sido usado pelo próprio Peixão, um dos líderes do Terceiro Comando Puro (TCP), e que foi demolido em março deste ano. Assim como o imóvel anterior, a nova construção apresenta sinais de luxo incompatíveis com a realidade das moradias da região: piscina aparentemente pronta para uso, churrasqueira instalada e um muro em fase de acabamento. Também foi encontrado no local um reservatório com material semelhante a cimento, indicando que as obras estavam em andamento.
A residência demolida em março, avaliada em R$ 300 mil, destoava completamente do entorno. Além de piscina e área gourmet, o imóvel contava com lago ornamental com carpas avaliadas em R$ 80 mil, gramados bem cuidados, palmeiras, pedras naturais na decoração e até uma espécie de guarda-sol feito de palha. O local servia como palco para festas frequentadas por aliados do tráfico, com entrada gratuita para mulheres e bilhetes de R$ 30 para homens. Apresentações de DJs e shows faziam parte da rotina do espaço.
A localização do antigo “resort” também era estratégica: entre a Linha Vermelha e a Avenida Brasil, dois dos principais eixos viários da cidade. Imagens de satélite mostram que, até meados de 2021, a área era tomada por vegetação densa. Poucos meses depois, o terreno já exibia movimentação de terra e, em meados de 2022, a transformação em centro de lazer já estava consolidada, com direito a uma pequena praia artificial e fundo de areia.
Agora, com a descoberta da nova estrutura na Cidade Alta — uma das comunidades que compõem o Complexo de Israel ao lado de Parada de Lucas, Cinco Bocas, Pica-Pau e Vigário Geral —, a polícia investiga se a construção seria mais uma tentativa de Peixão de restaurar seu refúgio de luxo. O traficante é considerado foragido e um dos principais alvos das autoridades fluminenses.
As investigações continuam, e a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) apura se há indícios de lavagem de dinheiro na construção das estruturas de lazer atribuídas ao chefe do tráfico. A expectativa é que novas diligências sejam realizadas nos próximos dias para verificar possíveis ligações entre os imóveis e o financiamento de atividades criminosas na região.
Mais cedo a polícia já havia encontrado e destruído uma espécie de bunker dos criminosos.





