Peixão e mais quatro criminosos são indiciados por ataque que matou três pessoas na Avenida Brasil

Investigações concluiram que ele ordenou o ataque proposital à Avenida Brasil

A investigação das delegacias de Homicídios da Capital e da Baixada Fluminense concluiu que traficantes do Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio, atiraram de forma deliberada contra as vias expressas da Avenida Brasil durante uma operação em outubro de 2024. O ataque deixou três pessoas mortas e outras três feridos. Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão — apontado como chefe do Terceiro Comando Puro (TCP) — e mais quatro comparsas foram indiciados pelos crimes.

Após o episódio, a polícia passou a investigar Peixão por possível terrorismo ao ordenar disparos contra inocentes para garantir a fuga de comparsas. A ofensiva foi deflagrada por agentes de três batalhões da Polícia Militar e se concentrou nas comunidades de Cidade Alta, Cinco Bocas e Pica-Pau.

Durante o confronto, seis pessoas inocentes foram baleadas. Três delas morreram, incluindo um motorista de aplicativo, um passageiro de ônibus e um caminhoneiro. A troca de tiros levou ao bloqueio da Avenida Brasil por duas horas e afetou a circulação de ônibus e trens.

À época, a Polícia Militar afirmou que as ações tinham como foco o combate ao roubo de veículos e de cargas. A região concentra comunidades com rotas de acesso estratégico à Zona Norte e à Baixada Fluminense.

Disputa de poder

O Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio de Janeiro, tem sido alvo de sucessivas ações violentas nos últimos meses. A área, dominada pelo Terceiro Comando Puro (TCP), é cenário de confrontos com o Comando Vermelho (CV), que disputa o controle do tráfico de drogas.

Já em janeiro deste ano, moradores de Vigário Geral, comunidade que integra o Complexo de Israel, relataram tiroteios intensos durante a madrugada. As investigações apontaram para uma tentativa do Comando Vermelho de tomar o controle do território, atualmente sob influência do TCP.

O Complexo de Israel inclui comunidades como Parada de Lucas, Cidade Alta, Cinco Bocas, Pica-Pau e Vigário Geral. De acordo com a Polícia Civil, Peixão é o principal nome do TCP nessas localidades e possui 35 anotações criminais por tráfico de drogas, homicídios, desaparecimentos, tortura, sequestros e roubo de cargas. A polícia também relaciona seu nome a 131 registros de ocorrência.

O traficante também é investigado por exercer controle social sobre a população local. Em Parada de Lucas, ele teria construído imóveis de alto padrão, instalado câmeras de monitoramento e promovido alterações na estrutura das comunidades, como a construção de pontes entre favelas.

Ele também é envolvido em polêmicas religiosas. A Polícia Civil apurou ainda a expulsão de moradores ligados a religiões afro-brasileiras e o fechamento de uma igreja católica na região.

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading