Vídeo mostra fuga em massa de traficantes armados na Penha

Imagem mostra criminosos usando roupas camufladas e uniformes semelhantes aos das polícias

Um drone da Polícia Civil registrou o momento em que criminosos fortemente armados se reúnem no alto do Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, durante a megaoperação que matou 117 suspeitos. A imagem mostra ainda o momento em que o grupo foge pela mata.

As imagens foram gravadas por volta das 6h da manhã, no início da ação, e registram mais de 30 homens armados. Alguns usando roupas camufladas e uniformes semelhantes aos das polícias para dificultar a identificação.

Veja o vídeo

De acordo com as investigações, entre os integrantes estavam chefes do tráfico vindos de outros estados, como Goiás, Espírito Santo, Bahia, Ceará, Amazonas e Pará, além de membros da cúpula do Comando Vermelho (CV) no Rio.

O drone registrou o momento em que o grupo se desloca em direção à Serra da Misericórdia, área que se tornaria o principal ponto de confronto ao longo da operação.

Muro do Bope

A megaoperação contra o Comando Vermelho (CV) o chamado ‘Muro do Bope’, um cerco de agentes de elite que empurrou os criminosos até o topo da Serra da Misericórdia.

Segundo o secretário da Polícia Militar, Marcelo de Menezes, o objetivo da tática era isolar os traficantes em uma área de mata para evitar confrontos dentro das comunidades.

Doca conseguiu fugir

Segundo a polícia, Edgard Alves Andrade, o Doca, um dos principais alvos da ação, já havia deixado o perímetro urbano e estava escondido fora da área residencial no momento da gravação.

 Disque Denúncia (DD) divulgou, nesta terça-feira (28), um cartaz oferecendo uma recompensa de R$ 100 mil por informações que levem ao chefe da facção.

Taxa de moradores

Nos últimos anos, o Comando Vermelho teria ampliado suas fontes de lucro, cobrando ‘pedágios’ de moradores pelo acesso a serviços básicos como gás, internet e transporte, segundo as investigações.

Além do domínio no Rio, o CV também expandiu sua influência para o Norte e o Nordeste, disputando rotas do tráfico em vários estados.

Mais de 100 mortos

Moradores do Complexo da Penha, na Zona Norte, retiraram ao menos 72 corpos de uma área de mata na manhã de quarta-feira (29), segundo a Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ. 

Os corpos foram levados para a Praça São Lucas, na Estrada João Lucas, uma das principais vias da região. Segundo testemunhas, as pessoas mortas foram encontradas em buscas na Serra da Misericórdia, onde se concentraram os confrontos na noite desta terça-feira.

O governador Cláudio Castro minimizou a possibilidade de haver civis nas estatísticas e reforçou que os confrontos ocorreram em área de mata, o que, na avaliação dele, afastaria a presença de moradores do local.

“O conflito não foi em área de ficada, foi todo na mata. Então não creio que tivesse alguém passeando na mata em dia de conflito. O critério que garantimos hoje é que são criminosos [os mortos]”, afirmou.

“Foi um sucesso”

O governador Cláudio Castro afirmou que, apesar das mortes de quatro agentes de segurança — dois policiais civis e dois militares — a operação deve ser considerada bem-sucedida. Ele disse que o estado não irá “chorar” pela ausência de apoio do governo federal.

“Não vamos ficar chorando, se não dá para contar com o apoio [do governo federal], a gente foi e fez a nossa operação e foi um sucesso. Tirando a vida dos policiais, o resto foi um sucesso. A gente não fica aqui chorando”, declarou.

O governador voltou a defender que a segurança pública deve ser tratada como prioridade nacional e afirmou que o Rio está “na linha de frente” desse enfrentamento.

“Aquele que não entender que a segurança pública é o maior problema do Brasil hoje vai se arrepender e pedir perdão à sociedade. É por isso que o Rio de Janeiro sai na frente. Não nos furtaremos a fazer a nossa parte”, declarou.

Questionado sobre a possibilidade de ocupação permanente das comunidades, Castro rejeitou qualquer comparação com as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

“Isso aqui não é UPP 2. A UPP você pergunta aos prefeitos o que eles acham dela. O Governo do Rio não faz acordo para ter índice bom, queremos resolver o problema. Por isso não vamos entrar em politicagem aqui”, reforçou.

Balanço da operação

A ofensiva mobilizou cerca de 2,5 mil agentes das polícias Civil e Militar, com apoio do Ministério Público do Rio, para cumprir 100 mandados de prisão e 150 de busca e apreensão. O alvo eram lideranças do Comando Vermelho que atuam em 26 comunidades dos complexos do Alemão e da Penha.

Presos: 113 (destes, 33 eram de outros estados);

Apreendidos: 10 adolescentes;

Armas: 118 apreendidas (91 fuzis, 26 pistolas, um revólver);

Drogas, munições, carregadores e explosivos a serem contabilizados.

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