(Vídeo) Morte de turista expõe risco de “rachas” de charrete no litoral de São Paulo

MPF investiga prática perigosa, mas fiscalização segue ineficaz para coibir corridas

A morte da turista Thalita Hoshino (à esquerda na foto), de 37 anos, atropelada por uma charrete em alta velocidade enquanto andava de bicicleta na praia de Itanhaém, expõe um problema crônico na região: as corridas ilegais de charretes na faixa de areia. A prática, denunciada há anos por moradores e pelo Ministério Público Federal (MPF), representa uma ameaça constante à segurança de frequentadores e animais, mas até agora tem escapado do controle das autoridades.

Itanhaém e Peruíbe, no litoral sul paulista, são palco desses rachas há pelo menos uma década. Os eventos reúnem até 300 espectadores, atraindo visitantes de cidades do interior e incentivando apostas. Os participantes utilizam charretes leves, semelhantes às bigas romanas, e disputam velocidade na areia, acompanhados por carros e motos em alta velocidade. Em 2021, outro atropelamento vitimou uma mulher e um cachorro na mesma região, reforçando o risco da atividade.

Thalita foi atingida por uma charrete conduzida por Rudney Gomes, que alegou se tratar de um “passeio familiar”. No entanto, testemunhas afirmam que ele participava de uma corrida. O impacto causou traumatismo craniano na vítima, que chegou a ser socorrida, mas não resistiu. A polícia agora trata o caso como homicídio, analisando imagens e colhendo depoimentos para apurar a responsabilidade do condutor.

Apesar da gravidade dos acidentes, a repressão às corridas enfrenta desafios. A fiscalização das prefeituras de Itanhaém e Peruíbe é dificultada pela falta de coordenação entre os municípios. “Quando a GCM de Peruíbe aparece, os corredores fogem para Itanhaém”, relata a protetora de animais Lana Constantino.

Em 2023, um acordo entre o MPF e as prefeituras previa barreiras para impedir as corridas, incluindo tubulões de concreto e barreiras de terra. Contudo, os obstáculos foram removidos por frequentadores dos eventos, e o acordo não foi integralmente cumprido. A Funai também deveria atuar na restrição do trânsito na praia, que margeia uma terra indígena, mas há impasses na execução das medidas.

A morte de Thalita reaviva o debate sobre a ineficiência das autoridades em coibir uma prática perigosa que continua ocorrendo mesmo sob investigação do MPF. Com a frequência de acidentes, moradores temem que novas tragédias sejam apenas uma questão de tempo.

Com informações de O Globo

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