Vídeo do Rock in Rio: DJ JP faz história como primeiro artista com Down nas pick-ups

João Pedro Rocha, de 23 anos, tornou-se o primeiro DJ com síndrome de Down a tocar no festival e levou seu repertório ao Artist Village

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Aos 23 anos, João Pedro Rocha, o DJ JP, escreveu um capítulo inédito no Rock in Rio nesta sexta-feira (11). Ele se tornou o primeiro DJ com síndrome de Down a se apresentar no festival. A apresentação aconteceu no Artist Village, espaço destinado a artistas, convidados e profissionais que participam do evento.

A chegada ao Rock in Rio representa um salto em uma carreira profissional ainda recente. JP começou a se preparar profissionalmente em 2024 e estreou como DJ no ano seguinte. Desde então, passou por eventos de grande público, abriu apresentações de artistas conhecidos e levou seu trabalho a diferentes capitais brasileiras.

A história foi publicada pelo g1 Rio nesta sexta-feira. Antes de se apresentar no festival, JP falou sobre o significado da conquista e destacou que não imaginava chegar tão rapidamente a um evento dessa dimensão.

“Eu nunca poderia imaginar que um dia eu chegaria ao Rock In Rio, convidado para um trabalho como este, que vai mostrar meu trabalho para tanta gente. E também de como ser uma pessoa com Síndrome de Down não me impede de fazer o que eu quiser”, afirmou. Assista ao vídeo de DJ JP no Rock in Rio:

Música começou dentro de casa

A relação de JP com a música vem de muito antes da carreira profissional. Criado em uma família ligada ao universo musical, ele cresceu frequentando festas, shows, rodas de samba e blocos de rua.

Esse contato ajudou a construir um repertório diversificado que hoje aparece em suas apresentações. Seus sets transitam por samba, MPB, pop e funk e são preparados de acordo com o perfil de cada evento.

O passo decisivo para transformar o interesse em profissão veio em 2024, quando JP conheceu o DJ e produtor Rafael Nazareh, responsável pela formação de DJs na AIMEC, instituição onde o jovem estudou.

Com orientação profissional e apoio da família, JP desenvolveu técnicas para comandar pistas e preparar seus próprios sets.

Segundo Nazareh, o aprendizado foi adaptado para encontrar a melhor maneira de desenvolver as habilidades do DJ. O produtor afirma que JP hoje está preparado para conduzir apresentações para grandes públicos.

Do CasaBloco ao Galo da Madrugada

A estreia profissional aconteceu em 2025, no CasaBloco, realizado no Jockey Club, no Rio de Janeiro. A partir dali, a agenda começou a ganhar novos palcos.

No início de 2026, JP desembarcou em Recife e abriu shows de artistas como Elba Ramalho. Também integrou a programação do Galo da Madrugada. Em duas apresentações realizadas na Praça do Arsenal, tocou para um público superior a 20 mil pessoas.

O DJ participou ainda dos dois dias do Festival Harmonia, na Lagoa, antes de receber um convite que ampliaria sua circulação pelo país.

Geraldo Azevedo levou JP para turnê

Entre abril e julho, JP integrou a turnê “Oitentação”, de Geraldo Azevedo. A convite do cantor, que completou 80 anos, o DJ ficou responsável pela abertura das oito apresentações realizadas em diferentes capitais brasileiras.

Os shows reuniram públicos superiores a 5 mil pessoas, incluindo apresentações no Teatro Unimed, em São Paulo, e na Concha Acústica do TCA, em Salvador.

No Rio, JP também participou da abertura da tradicional Árvore de Natal da Lagoa, ao lado da Orquestra Sinfônica Petrobras. A apresentação foi transmitida em telões instalados no entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas e no Parque da Catacumba.

Durante o verão, participou ainda do projeto Música no Deck, em São Conrado, abrindo apresentações de Rodrigo Lorio, Oriente, Gabi Melin e Lagum.

Rock in Rio marca novo capítulo

A apresentação desta sexta-feira coloca o Rock in Rio na lista de conquistas de uma trajetória profissional iniciada há pouco mais de um ano.

JP vem construindo uma identidade própria nas pick-ups, combinando diferentes gêneros e adaptando o repertório ao público de cada evento. Entre suas referências, cita Lala K, Cris Pantoja, Doni, Pepe Jordão, Tropicals e MAM.

Para o DJ, além da música, existe outro elemento fundamental durante uma apresentação: acompanhar a resposta da plateia. Ele define como uma das melhores partes do trabalho “ver o público animado e curtindo o som”.

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