O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, afirmou neste sábado (16) que considera encerrada a polêmica envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro. Durante evento do partido Novo em Belo Horizonte para lançamento de pré-candidaturas às eleições de 2026, Zema adotou um tom mais moderado ao comentar o episódio, após críticas públicas feitas anteriormente.
“Fui duro porque eu fiquei muito decepcionado, mas agi de acordo com meus princípios e valores. Pra mim, agora é página virada [esse assunto]”, declarou o governador. Ele também ressaltou o apoio dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. “Sempre respeitei muito o presidente Bolsonaro, e inclusive atuei ativamente no segundo turno dele em 2022 no estado de Minas Gerais, mas esse fato me decepcionou e eu agi de acordo com os meus princípios e valores. Eu prezo transparência”, completou.
Relação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro entrou na mira da PF
As declarações de Zema ocorrem após reportagem publicada pelo Intercept Brasil revelar áudios e mensagens atribuídos a Flávio Bolsonaro, nos quais o senador se refere a Daniel Vorcaro como “irmão” e solicita recursos para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Segundo a publicação, Vorcaro teria transferido R$ 61 milhões ao senador. A Polícia Federal investiga se parte desse dinheiro teria sido utilizada para custear despesas do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Daniel Vorcaro está preso em Brasília e é alvo de investigações da Polícia Federal sob suspeita de liderar um esquema bilionário de fraudes financeiras. De acordo com os investigadores, o prejuízo estimado pode chegar a R$ 12 bilhões.
Governador comenta denúncia apresentada pela PGR
Durante o mesmo evento político, Zema também comentou a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República contra ele. O procurador-geral Paulo Gonet acusou o governador de ultrapassar os limites da crítica institucional ao publicar vídeos com ataques ao Supremo Tribunal Federal e aos ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli.
“Muito confiante de que a Justiça vai prevalecer. O que nós falamos eu continuo dizendo: nós temos sempre questionado atitudes que consideramos extremamente suspeitas, de fatos que ocorrem no Supremo, e vou continuar fazendo isso. Vejo isso como uma tentativa de retaliar alguém que quer esclarecer e fazer o certo”, afirmou o governador.
A denúncia foi protocolada na sexta-feira (15) e tem relação com vídeos publicados por Zema nas redes sociais durante a repercussão do caso Banco Master. Segundo a PGR, o conteúdo utilizava imagens dos ministros do STF retratados como fantoches, o que teria atingido a honra da Corte e dos magistrados envolvidos.
Caso saiu do inquérito das Fake News para o STJ
O episódio teve início após Gilmar Mendes solicitar a inclusão de Zema no inquérito das Fake News, conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes. Posteriormente, a Procuradoria-Geral da República entendeu que o processo deveria tramitar no Superior Tribunal de Justiça por envolver atos relacionados ao exercício do mandato de governador.
A defesa política de Zema sustenta que as manifestações ocorreram dentro do direito à liberdade de expressão e da prerrogativa de questionar decisões do Judiciário. Já a PGR argumenta que houve extrapolação dos limites constitucionais da crítica pública ao Supremo Tribunal Federal.





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