Vídeo de Michelle supera carta de Bolsonaro nas redes, aponta Nexus

Levantamento mostra que gravação da ex-primeira-dama teve 132% mais engajamento e alcance 240% maior no X do que a carta divulgada por Jair Bolsonaro.

O vídeo em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro faz críticas ao enteado, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), teve um impacto muito maior nas redes sociais do que a carta aberta divulgada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na tentativa de unificar sua base política em torno da candidatura do filho à Presidência da República. Levantamento da Nexus, empresa especializada em pesquisa e inteligência de dados, mostra que a gravação de Michelle dominou as conversas nas principais plataformas digitais e manteve a crise interna do bolsonarismo em evidência.

Segundo o estudo, a repercussão do vídeo registrou um alcance 240% maior no X (antigo Twitter) em comparação com a carta de Bolsonaro. Considerando também Facebook e Instagram, o engajamento da publicação de Michelle foi 132% superior, somando cerca de 3,9 milhões de interações.

A comparação foi realizada em períodos semelhantes de 24 horas. O vídeo de Michelle foi monitorado entre os dias 24 e 25 de junho, enquanto a repercussão da carta ocorreu entre o meio-dia de sábado (11) e o meio-dia de domingo (12), após o documento ser lido pelo senador Flávio Bolsonaro durante uma transmissão ao vivo.

Carta mobilizou apoiadores, mas teve alcance menor

De acordo com a Nexus, no X foram analisadas aproximadamente 62 mil menções em português feitas por cerca de 21 mil usuários únicos sobre a carta do ex-presidente. As publicações alcançaram um total estimado de 7,9 milhões de impressões e cerca de 428 mil interações.

O maior volume de postagens ocorreu às 14h de sábado. Entre os termos mais utilizados estavam expressões retiradas do documento, como “carta aos brasileiros”, “deixarmos de lado as possíveis diferenças”, “arregaçar as mangas” e “resgatar o Brasil”.

No Facebook e no Instagram, a pesquisa identificou cerca de 2 mil menções, responsáveis por aproximadamente 1,2 milhão de interações.

Entre os perfis que mais impulsionaram a divulgação da carta estavam Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Nikolas Ferreira e Gustavo Gayer, além de veículos de imprensa como G1, Veja e Folha de S.Paulo.

Vídeo manteve crise familiar em destaque

Apesar da mobilização em torno da carta, o monitoramento aponta que o vídeo de Michelle Bolsonaro continuou sendo o assunto de maior repercussão entre os usuários das redes sociais.

Na gravação, publicada em duas partes, a ex-primeira-dama afirma ter sido desrespeitada por Flávio Bolsonaro durante discussões sobre decisões internas do PL. O episódio teve origem em divergências sobre alianças políticas no Ceará e acabou ampliando a disputa dentro do grupo bolsonarista.

Segundo a Nexus, os indicadores medem alcance, circulação das publicações e capacidade de mobilização nas plataformas digitais. A empresa ressalta que esses números não indicam, necessariamente, manifestações favoráveis ou contrárias aos envolvidos.

Conhecimento da crise

Além do monitoramento das redes, uma pesquisa de opinião realizada pela BTG/Nexus e divulgada nesta semana mostrou que 64% dos eleitores afirmaram ter conhecimento da crise entre Michelle e Flávio Bolsonaro.

Entre os entrevistados, 46% consideram que o episódio prejudica politicamente o senador, enquanto 40% avaliam que não há impacto e 7% entendem que a exposição da disputa pode beneficiá-lo.

Embora utilizem metodologias diferentes, os dois levantamentos apontam para o mesmo cenário: a disputa pública entre Michelle e Flávio Bolsonaro permaneceu no centro do debate político nas redes sociais, superando a repercussão da carta divulgada por Jair Bolsonaro em defesa da unidade do grupo político.

Sobre a Nexus

A Nexus é uma empresa da FSB Holding especializada em pesquisa de opinião pública e inteligência de dados. A companhia realiza monitoramento de redes sociais por meio de técnicas de social listening, analisando volume de menções, alcance, narrativas, evolução temporal e engajamento de conteúdos digitais.

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