O desempenho da alta temporada e as projeções para os próximos anos foram tema do terceiro painel do Seminário de Turismo RJ, realizado nesta quarta-feira (02), no Hotel Nacional, em São Conrado. Representantes da hotelaria, do governo estadual e do setor de entretenimento apontaram crescimento do público internacional, fortalecimento do calendário de eventos e diversificação da oferta turística como pilares para manter o ritmo de expansão até 2027.
Gerente geral do Hotel Nacional e representante da Associação de Hotéis do Rio de Janeiro (Abih), Maurício Júnior afirmou que o verão registrou avanço significativo no perfil dos visitantes estrangeiros.
“Para nós da hotelaria, o público internacional cresceu muito. No verão, 44% dos hóspedes são de fora. Há muito americano, canadense e muito africano”, destacou.
Apesar do cenário positivo, ele alertou para fatores externos que podem impactar o setor, como a instabilidade internacional e a alta no custo do combustível de aviação.
“Nos preocupa muito, por exemplo, a guerra. Saiu uma nota falando em aumento de 40% no querosene, depois 18%. Isso impacta muito o valor da passagem. As pessoas, antes de se hospedarem, compram passagem”, afirmou.
Maurício também ressaltou o momento de investimentos no setor. “Nunca tivemos tanto investimento na área de turismo como agora. Se conseguirmos manter, já é o principal.”
Ele voltou a defender maior equilíbrio regulatório entre hotelaria tradicional e plataformas de aluguel por temporada. “Para nós é bom investir nessa diferença entre a hotelaria e o Airbnb.”
Praia como âncora e interior como estratégia
Subsecretário estadual de Eventos, Marcelo Monfort destacou que o turismo de praia continua sendo o principal cartão de visitas do estado.
“O turismo de praia é o principal atrativo do nosso estado. As pessoas vêm para cá pelas praias, querem sol. Então sabemos como precisamos estar preparados para receber esse turista.”
Segundo ele, há articulação constante com o setor privado e um calendário estruturado de eventos tanto na capital quanto no interior.
“Temos um calendário de eventos não só na capital, mas no interior também, para atrair esse turista que vem para o Rio no verão e conhecer outras regiões.”
Monfort defendeu ainda a promoção de destinos de clima mais ameno durante os períodos de calor intenso.
“O turismo de praia já está consolidado na capital. Então a gente tem que promover o turismo de inverno no verão: Petrópolis, Areal, Região Serrana. Conversamos muito com todo o setor.”
Novas experiências e impacto nas comunidades
A diversificação da oferta turística também foi abordada pelo empresário Renan Monteiro, que atua na área de gastronomia e entretenimento. Ele relatou o crescimento do turismo em comunidades e o impacto direto na economia local.
“É um trabalho que começou lá em 2018. Primeiro, escolhemos o mirante da Rocinha para trazer o turista para a comunidade. Por volta de 2025, essa demanda cresceu muito”, afirmou.
Segundo ele, a organização do setor foi essencial para estruturar a atividade com foco em segurança e formalização. “Criamos um aplicativo chamado ‘Na Favela Turismo’, justamente pensando em atrair e na segurança.”
Entre os roteiros que fogem ao circuito tradicional estão os passeios guiados pelas favelas da Rocinha — uma das maiores do país, com vista para a Praia de São Conrado — e do Vidigal. Dados da plataforma Civitatis indicam que os tours de mototáxi, com opção de vídeos de drone pelas lajes das comunidades, ultrapassaram 50 mil visitantes em apenas dois meses, até meados de março.






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