O Vaticano deu nesta sexta-feira (2) um dos primeiros sinais concretos da aproximação do conclave que escolherá o próximo líder da Igreja Católica. A tradicional chaminé da Capela Sistina, por onde sairá a fumaça indicando o resultado das votações, foi instalada discretamente por uma equipe de bombeiros da Santa Sé, no telhado do edifício que abriga os célebres afrescos de Michelangelo.
Turistas presentes na Praça de São Pedro, em Roma, pouco notaram a movimentação. No entanto, a partir da próxima quarta-feira, quando os cardeais forem oficialmente enclausurados na Capela Sistina para iniciar o processo de escolha do novo pontífice, os olhos do mundo estarão novamente voltados para o pequeno cano marrom — sinal silencioso, porém decisivo, da sucessão papal.
A expectativa global cresce com a proximidade do conclave, que reunirá 133 cardeais eleitores. Eles realizarão quatro votações diárias — duas pela manhã e duas à tarde — com exceção do primeiro dia. Todas as cédulas, bem como eventuais anotações e registros de apuração, serão queimadas ao fim de cada rodada de votação.
A fumaça que sairá da chaminé será preta caso nenhum nome alcance a maioria qualificada de dois terços dos votos. Se o novo papa for eleito, a fumaça será branca, sinalizando o aguardado anúncio: Habemus Papam. Minutos depois, o novo pontífice surgirá na sacada central da Basílica de São Pedro para dar sua primeira bênção “urbi et orbi” — à cidade e ao mundo.
Reuniões de preparação e perfis em debate
A instalação da chaminé coincidiu com a retomada das congregações gerais, encontros preparatórios nos quais os cardeais discutem os principais desafios e prioridades da Igreja. Esses encontros têm também uma função estratégica: aproximar os participantes e permitir a troca de ideias entre cardeais que, em sua maioria, não se conhecem pessoalmente.
“Tenho pensado muito, refletido, conversado com alguns cardeais e tenho sido um grande ouvinte nas congregações gerais”, declarou à AFP o cardeal uruguaio Daniel Sturla, que participa de um conclave pela primeira vez. “Nesses dias vamos decantando alguns nomes possíveis”, acrescentou.
As reuniões abordam temas sensíveis que marcaram o pontificado de Francisco, como os casos de abuso sexual dentro da Igreja, as finanças do Vaticano e a descentralização da estrutura de poder clerical. O próximo papa deverá assumir a responsabilidade de lidar com esses desafios em um contexto de mudanças profundas.
Francisco, ao longo de seu papado, promoveu uma ampla renovação no Colégio Cardinalício. Cerca de 80% dos cardeais com direito a voto foram nomeados por ele, boa parte oriunda de regiões tradicionalmente marginalizadas da Igreja, como África, Ásia e América Latina — um reflexo de sua ênfase nas “periferias” do mundo católico.
A escolha do novo pontífice se dará sob forte expectativa global, em um momento de transição para uma das instituições mais antigas e influentes do mundo. A fumaça branca da Capela Sistina, quando surgir, não será apenas um sinal de consenso entre os cardeais, mas o anúncio de uma nova etapa para os mais de 1,4 bilhão de católicos no planeta.





