O Vaticano decretou a excomunhão de oito bispos ligados à Fraternidade Sacerdotal São Pio X após a realização de consagrações episcopais sem autorização do Papa. O decreto foi assinado pelo cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, e publicado um dia depois da cerimônia realizada em 1º de julho de 2026, em Écône, na Suíça.
Segundo o documento, os bispos Alfonso de Galarreta e Bernard Fellay, responsáveis pela consagração, e os quatro novos bispos ordenados — Pascal Schreiber, Michael Goldade, Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier — incorreram automaticamente na pena de excomunhão “latae sententiae”, reservada à Sé Apostólica.
A Santa Sé afirma que o ato representou uma “consagração episcopal sem mandato pontifício e contra a vontade do Sumo Pontífice”, configurando um ato de natureza cismática, confirmando portanto a Cisma na Igreja Católica.
Entenda a decisão do Vaticano
O decreto publicado pelo Dicastério para a Doutrina da Fé reforça que tanto os bispos consagrantes quanto os consagrados violaram diretamente o direito canônico ao realizar o rito sem autorização papal.
A decisão representa um novo agravamento da relação entre o Vaticano e a Fraternidade São Pio X, fundada por Dom Marcel Lefebvre e historicamente marcada por tensões com Roma desde as consagrações episcopais de 1988.
De acordo com o documento, os ministros ordenados pela Fraternidade passam a ser considerados em situação de cisma e sujeitos às sanções previstas pelo Código de Direito Canônico.
Fiéis também podem ser considerados excomungados
Além dos bispos e sacerdotes, o Vaticano afirma que os fiéis leigos que aderirem formalmente à Fraternidade Sacerdotal São Pio X podem ser considerados cismáticos e excomungados, conforme critérios já estabelecidos em uma nota explicativa de 1996 do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos.
A nota publicada pelo Dicastério recorda que, desde o pontificado de São Paulo VI, diversas tentativas de reconduzir o grupo à plena comunhão com a Igreja Católica não obtiveram êxito.
O texto cita ainda a Carta Apostólica Ecclesia Dei, de São João Paulo II, segundo a qual a rejeição prática do primado do Papa constitui um ato cismático.
Sacramentos são considerados ilícitos
O Vaticano também advertiu os católicos sobre a validade dos sacramentos administrados pela Fraternidade São Pio X.
Segundo o Dicastério, os ministros do grupo administram os sacramentos de forma ilícita e, especificamente, as confissões e os matrimônios celebrados por eles são considerados inválidos.
A Santa Sé orienta os fiéis a não participarem de celebrações e atividades promovidas pela Fraternidade.
Últimos apelos do Papa Leão XIV
Antes das consagrações, o Papa Leão XIV havia enviado uma carta ao superior da Fraternidade pedindo que o grupo desistisse da cerimônia.
No documento, divulgado em 30 de junho, o pontífice fez um apelo para que os lefebvrianos “não rasgassem a túnica de Cristo”, numa referência à unidade da Igreja.
O cardeal Fernández também havia advertido publicamente, em maio deste ano, que a ordenação de novos bispos sem mandato pontifício configuraria um ato cismático.
Vaticano reafirma convite ao retorno à comunhão
Apesar da sanção, o Dicastério para a Doutrina da Fé declarou que a Igreja permanece aberta ao retorno dos membros da Fraternidade à plena comunhão com Roma.
O documento informa que os núncios apostólicos receberão orientações sobre os procedimentos que poderão ser utilizados pelos bispos locais para acolher aqueles que desejarem regularizar sua situação canônica.
Ao final da nota, o Vaticano exorta os católicos a permanecerem em comunhão com o Romano Pontífice e com os bispos unidos à Santa Sé.





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