Pesquisadoras da Universidade de Columbia, sediada em Nova York, visitaram o Centro de Operações Rio (COR), na tarde desta segunda-feira, para uma reunião com técnicos de resiliência climática da prefeitura do Rio. No encontro, foi discutida a possibilidade de implementar uma ferramenta de análise de dados, atualmente em fase de desenvolvimento, que permitirá aos técnicos prever com antecedência os locais e momentos exatos de maior concentração de chuva, especificamente em cada bairro.
A ferramenta pode equipar a cidade com um novo modelo matemático de previsão do tempo capaz de possibilitar a antecipação de ações necessárias para reduzir os impactos das chuvas com mais precisão. Uma das maiores autoridades mundiais no estudo de mudanças climáticas, a pesquisadora e doutora da Universidade de Columbia Suzana J. Camargo esteve no encontro.
— Fazer a previsão correta, as medições, simulações de como o evento climático pode acontecer é um problema científico complicado. É isso que a gente está tentando melhorar com esse projeto, feito com o apoio do Climate Hub, em colaboração entre a Columbia e a Universidade Federal do Rio de Janeiro. Os alunos estão fazendo pesquisas focadas nos problemas aqui na cidade brasileira, com a simulação de chuvas extremas no Rio, por exemplo — afirma a cientista, que é especialista em ciclones tropicais (furacões e tufões) e na relação entre ciclones tropicais e clima em várias escalas de tempo.
A vinda da pesquisadora e o intercâmbio de conhecimento são frutos da parceria entre a cidade do Rio e a Universidade de Columbia, sediada em Nova York, por meio do Columbia Global Center Rio e do Climate Hub Rio. A cidade carioca foi a primeira do mundo escolhida para ter um centro de estudos de Columbia dedicado ao clima, fora dos Estados Unidos.
— O Rio de Janeiro tem um histórico importante em termos de política climática global. Grandes eventos nasceram aqui: a COP, a Eco 92, Rio+20. Todo o arcabouço de conferências climáticas mundiais nasceu no Rio de Janeiro. Somos um grande laboratório, tanto inovação, quanto problemas. Temos uma série de questões climáticas na cidade, mas, ao mesmo tempo, sempre buscamos transformar em soluções — afirma Camila Pontual, gerente de projetos do Climate Hub, programa de clima do Columbia Global Center Rio.
O projeto conta com estudantes brasileiros da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade de São Paulo (USP), em uma colaboração internacional para desenvolver soluções personalizadas, que atendam aos problemas locais. A ideia, segundo professora do departamento de Meteorologia da UFRJ Ana Nunes é criar um sistema de previsão e o abastecer com informações sobre as características geográficas do Rio, garantindo uma previsão mais detalhada.
— Isso é importante para um município como o Rio de Janeiro que tem litoral, região montanhosa e de baixada. É um primeiro passo. Estamos juntando o conhecimento acadêmico com as necessidades de operação para proporcionar segurança e conforto para a população do Rio. Foi um encontro para a gente começar a pensar projetos de colaboração voltados à melhor eficiência, segurança e para evitar as fatalidades que acontecem em decorrência de eventos extremos de natureza meteorológica — pontua a professora da UFRJ.
Com informações de O Globo





