A Unimed Ferj negocia com a Unimed do Brasil a divisão dos custos — ou até a transferência integral da gestão — do Hospital Unimed da Barra da Tijuca, única unidade hospitalar própria de alta complexidade da operadora no Rio de Janeiro. A unidade funciona parcialmente por falta de recursos financeiros e opera atualmente com menos de um terço de sua capacidade total de leitos.
A tentativa de acordo ocorre dois meses depois de a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) determinar que a Unimed do Brasil, gestora da marca Unimed no país, passasse a dividir o risco da operação da Unimed Ferj, como forma de enfrentar a crise financeira da cooperativa fluminense.
Divisão de receitas após decisão da ANS
Pelo arranjo definido com a intervenção da ANS, a Unimed do Brasil passou a receber 90% da arrecadação das mensalidades dos usuários, ficando responsável pelo pagamento de prestadores de serviços e reembolsos. Os 10% restantes permanecem com a Unimed Ferj, que precisa arcar com dívidas acumuladas, despesas administrativas e o custeio das unidades próprias, incluindo o hospital da Barra.
Segundo o presidente da Unimed Ferj, João Alberto da Cruz, a atual estrutura financeira é insuficiente para manter o hospital operando em plena capacidade. Ao Globo, ele admite dificuldades financeiras, mas nega que a unidade esteja fechada.
Hospital opera com menos de um terço da capacidade
Dos 211 leitos existentes no Hospital Unimed da Barra da Tijuca, apenas cerca de 60 estão em funcionamento. De acordo com Alberto da Cruz, a redução é consequência direta da queda no número de beneficiários da operadora.
“Perdemos cerca de 130 mil usuários desde 2024. Com a redução da carteira, tivemos que diminuir o número de leitos para manter o hospital funcionando. Ele não está fechado, mantém pacientes internados e realiza cirurgias dentro das possibilidades de materiais e insumos disponíveis”, afirmou ao jornal.
Ainda segundo o presidente da Unimed Ferj, o custo mensal da operação hospitalar gira em torno de R$ 28 milhões, incluindo despesas com pessoal, manutenção, medicamentos e outros insumos.
Gestão segue com a Ferj, apesar de assistência assumida
Embora a Unimed do Brasil tenha assumido integralmente a assistência aos usuários da operadora em crise, a gestão das unidades próprias segue sob responsabilidade da Unimed Ferj. Além do hospital da Barra, a cooperativa administra prontos-socorros em Copacabana e na própria Barra da Tijuca.
Para retomar a capacidade plena de atendimento do hospital, João Alberto da Cruz defende que as despesas da unidade sejam compartilhadas com a Unimed do Brasil ou que a gestão seja integralmente assumida pela entidade nacional.
Dívida chega a R$ 1,4 bilhão e inclui grandes grupos
Paralelamente às negociações sobre o hospital, a Unimed Ferj tenta equacionar uma dívida estimada em R$ 1,4 bilhão, segundo cálculos da própria operadora. O montante inclui débitos com hospitais, laboratórios, fornecedores de medicamentos e materiais médicos.
Para organizar e renegociar os valores, a cooperativa contratou a Câmara de Medição e Arbitragem da Fundação Getulio Vargas (FGV). O processo é definido pela direção como uma “pré-recuperação extrajudicial” e deve ser concluído até o fim de fevereiro.
“A recuperação judicial não é o ideal. Eles estão mediando para ver o que conseguimos de desconto e prazo, de forma que caiba na verba disponível’, explica o presidente da Unimed Ferj.
A lista de cerca de 50 credores é liderada por grupos como Oncoclínicas, Dasa e Rede Casa, que concentram os maiores valores a receber.
O que diz a Unimed do Brasil
Em nota, a Unimed do Brasil afirmou que, desde novembro, “está trabalhando para estruturar a rede assistencial e normalizar os atendimentos”. A entidade destacou ainda que o Hospital Unimed da Barra da Tijuca é considerado um ativo estratégico para o Sistema Unimed.
Segundo o comunicado, a Unimed do Brasil realiza atualmente uma avaliação técnica da estrutura, da demanda e dos custos da operação para definir “a melhor condução para a unidade” no atual cenário.
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