Parlamentares do União Brasil dizem nos bastidores, diante da possível troca da deputada Daniela Carneiro (RJ) por Celso Sabino (PA) no Ministério do Turismo, que é necessário o Planalto dar liberdade para o novo ministro liberar cargos e emendas. Além disso, cobram mudança no Ministério da Integração. As alterações são vistas como a chance de o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) melhorar sua relação com a bancada do partido na Câmara dos Deputados.
Daniela do Waguinho assumiu o Ministério do Turismo representando o União Brasil, mas sua indicação foi vista como alheia à vontade da bancada da sigla na Câmara. O mesmo cenário não ocorre com Celso Sabino. O deputado paraense detém o apoio de 90% dos colegas. Ao todo, o partido tem 59 assentos na Assembleia.
Aliados de Sabino alertam, no entanto, que somente a troca não surtirá o efeito esperado pelo governo Lula. A perda de apoio de Daniela Carneiro deu-se, segundo seus colegas ouvidos, também pela dificuldade para nomear cargos ainda vagos no ministério. A ministra também demonstrou dificuldade para cumprir as promessas de emendas de deputados que esperam contemplar suas bases eleitorais.
“A ministra acaba sendo uma espécie de rainha da Inglaterra. Não tem como fazer política sem fazer eventos em praças e orlas, além de obras que a bancada quer e precisa levar para seus estados, para suas bases. A gente precisa de orçamento, a bancada não vai votar com o governo sem orçamento. Se o ministério continuar travado, a mudança pouco vai adiantar”, diz uma das lideranças do União Brasil, ouvida sob reserva pelo Metrópoles.
Esses cargos e recursos, caracterizados como emendas RP-2, estão represados, reclamam os deputados do União Brasil, tanto na Embratur, comandada pelo ex-deputado Marcelo Freixo, quanto na Casa Civil, comandada pelo ministro-chefe Rui Costa. O ex-governador da Bahia, inclusive, segue sendo alvo de críticas de parlamentares do Centrão.





