A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou neste sábado (09), durante seu discurso em evento do PL Mulher em Salvador, que é preciso “macetar a legalização do aborto, das drogas, essa ideologia de gênero do mal e tudo aquilo que o inimigo e a extrema-esquerda maldita querem implantar na nossa sociedade”.
Ela também disse que o “papel da esposa” é ser “ajudadora” do marido. Para Michelle, seu partido tem uma visão “feminina e não feminista”.
As falas acontecem no dia seguinte às manifestações das mulheres pelo mundo durante o 8 de maio que, entre pautas diversas de igualdade e combate à misoginia, costumam trazer a legalização do aborto como uma das bandeiras importantes.
Em seu discurso — feito antes da chegada do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — Michele atacou “a esquerda” e a chamada “ideologia de gênero” — que é como a extrema direita chama as pautas antiopressão ligadas aos direitos das mulheres e da comunidade LGBTIA+.
“Estamos aqui para sermos ajudadoras, é nosso papel como esposa. Queremos fazer uma política colaborativa, nós não queremos competir com vocês”, disse Michele a uma plateia majoritariamente feminina. “Nós amamos vocês, homens”.
“A gente não precisa gritar, a gente não precisa queimar sutiã, a gente não precisa desafiar a figura masculina”, completou. “Nós amamos nossos maridos, nós valorizamos nossos maridos, estamos aqui para apoiar.”
Possível moeda eleitoral do PL, Michelle tem rodado o país em eventos do PL Mulher — a Bahia é o 18º estado da caravana. Com o marido inelegível, ela é cotada, inclusive, como alternativa para a candidatura de seu partido à Presidência.
Bolsonaro subiu ao palco no final do evento. Sua presença nesses atos tem sido constante, geralmente assumindo o protagonismo — embora sejam encontros supostamente de “empoderamento” feminino — e fazendo o discurso de encerramento.
Michelle acusou ainda o presidente Lula (PT) de misoginia. Na última semana, Lula disse que “não ficou chorando” quando foi impedido de concorrer na eleição de 2018, vencida por Bolsonaro, em referência à ex-deputada venezuelana María Corina Machado, principal opositora de Nicolás Maduro, presa e impedida de concorrer no pleito nacional deste ano.
Ela também criticou as falas do presidente pelo conflito na Faixa de Gaza. “Não compactuamos com a fala dele [Lula] sobre Israel, porque nós somos pessoas de bem e abençoamos Israel”, disse, com a bandeira do país no palco. Lula, assim como outros líderes mundiais e diversas entidades internacionais de direitos humanos, acusa o país de genocídio contra o povo palestino após ataques a Gaza deixarem mais de 30 mil mortos em cinco meses.
Em sua fala, Bolsonaro pregou o aumento da participação feminina na política, “não por cotas, porque nós somos todos iguais, mas por vontade de participar”. Como de costume, criticou ainda a esquerda, fez piada sobre casamento e defendeu “valores cristãos” e o Estado de Israel.
Veja um trecho da fala da ex-primeira-dama no vídeo abaixo:
Com informações do UOL.





