A última noite de desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro, nesta terça-feira (17), reúne quatro escolas com enredos marcados por homenagens a personalidades do carnaval e por viagens culturais que atravessam o Brasil e o Caribe. Passam pela Marquês de Sapucaí a Paraíso do Tuiuti, Unidos de Vila Isabel, Acadêmicos do Grande Rio e Acadêmicos do Salgueiro.
A programação encerra o ciclo iniciado no domingo (15) e na segunda-feira (16), quando outras oito agremiações se apresentaram. O público poderá acompanhar todos os desfiles com transmissão ao vivo e cobertura em tempo real.
Entre os temas estão a ancestralidade afro-cubana, a trajetória de Heitor dos Prazeres, o movimento Manguebeat e o universo criativo da carnavalesca Rosa Magalhães.
Ordem e horários dos desfiles
As apresentações seguem o cronograma oficial da Liga Independente das Escolas de Samba:
- Paraíso do Tuiuti – início às 22h
- Unidos de Vila Isabel – entre 23h30 e 23h40
- Acadêmicos do Grande Rio – entre 1h00 e 1h15
- Acadêmicos do Salgueiro – entre 2h45 e 3h15
Paraíso do Tuiuti destaca religiosidade afro-cubana
Primeira escola da noite, a Tuiuti leva para a avenida o enredo “Lonã Ifá Lukumi”, que aborda a tradição iorubá e sua chegada a Cuba.
Entre os principais pontos do desfile estão:
- A origem do oráculo de Ifá e o papel de Orunmilá na cultura iorubá
- A formação do conhecimento sagrado em Ilé Ifé
- A diáspora africana e o surgimento da nação Lucumí em Cuba
- A resistência de lideranças negras contra a escravidão
- A consolidação da Santería como estratégia de preservação religiosa
- A conexão espiritual entre Cuba e Brasil
- O Ifá como símbolo contemporâneo de sabedoria e resistência cultural
Vila Isabel homenageia Heitor dos Prazeres
Segunda escola a desfilar, a Vila Isabel apresenta um tributo ao multiartista Heitor dos Prazeres, destacando sua importância para a cultura popular carioca.
O enredo percorre:
- A formação na região da Praça Onze, a chamada Pequena África
- A influência das tradições afro-brasileiras na música e nas artes
- A atuação na criação das primeiras escolas de samba
- O diálogo com nomes históricos da música brasileira
- A carreira como pintor e cronista visual do cotidiano popular
- O reconhecimento internacional de sua obra
- A consagração como símbolo da ancestralidade do samba
Grande Rio leva o Manguebeat para a Sapucaí
Terceira a entrar na avenida, a Grande Rio aposta na força cultural do Recife ao apresentar um desfile sobre o Manguebeat.
A narrativa inclui:
- O surgimento do movimento nas periferias recifenses
- O mangue como símbolo de potência criativa
- O manifesto “Caranguejos com Cérebro”
- A liderança de Chico Science
- A fusão entre ritmos tradicionais e sonoridades contemporâneas
- A valorização de expressões culturais como maracatu e ciranda
- A crítica à desigualdade social
- A ligação simbólica entre Recife e Duque de Caxias
- A expansão do Manguebeat pelo Brasil e pelo mundo
Salgueiro celebra o legado de Rosa Magalhães
Encerrando a noite, o Salgueiro apresenta uma homenagem à carnavalesca Rosa Magalhães, com um enredo que transforma a avenida em um grande livro aberto.
Entre os destaques estão:
- A trajetória da professora que revolucionou o carnaval com desfiles conceituais
- A biblioteca como portal para universos imaginários
- A presença de contos de fadas, mitos e personagens históricos
- O olhar artístico sobre a formação da identidade brasileira
- A mistura de referências eruditas e populares
- A consagração da artista como mestra da folia
- A continuidade de seu legado na Sapucaí
A terceira noite do Grupo Especial reforça o caráter cultural e histórico dos desfiles de 2026, com enredos que conectam ancestralidade, arte e movimentos sociais em diferentes territórios e épocas.






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