UFRJ reconhece equívoco e cancela matrículas até que separação entre candidatos aprovados em seleção ampla e cotistas seja reparada

Universidade divulga nota explicando cancelamento e marca nova data de divulgação até a próxima segunda

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) comunicou hoje (2) que suspendeu as matrículas para o ingresso na instituição este ano. A decisão foi tomada depois de o jornal O Globo divulgar que a universidade havia dividido, na maior parte dos cursos, que as novas turmas seriam separadas entre alunos aprovados na concorrência ampla no primeiro semestre, e os cotistas no segundo semestre. A nova listagem será divulgada até segunda-feira.

“A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), por meio da Pró-Reitoria de Graduação e da Superintendência-Geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Acessibilidade, informa que, por questões técnicas, está cancelada a listagem de convocação de candidatos(as) para a pré-matrícula da chamada regular”, afirmou a instituição.

A turma de Direito da UFRJ, por exemplo, não tem nenhum cotista entre os 202 aprovados para o primeiro semestre do curso integral. No segundo, não há nenhum aprovado em ampla concorrência. O mesmo aconteceu em cursos mais concorridos, como Medicina, Jornalismo, Psicologia e Odontologia.

Já em outras instituições consultadas pela reportagem — como a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) —, há classificados da ampla concorrência tanto no primeiro semestre, quanto no segundo em todos os cursos.

De acordo com o Diretório Central dos Estudantes Mário Prata (DCE-UFRJ), a instituição alegou que, “por definição do MEC, nas regras de aplicação da Nova Lei de Cotas, o único critério de alocação entre primeiro e segundo semestre é o da nota de corte”. Na tarde dessa sexta-feira a instituição voltou atrás e suspendeu as matrículas.

A nova Lei de Cotas mudou a forma de classificação no Sisu. Agora, os candidatos concorrem, inicialmente, às vagas de ampla concorrência — disputadas por todos. Caso não alcancem as notas nesta modalidade, passam então a concorrer às vagas reservadas pela Lei de Cotas. Isso abre a possibilidade para mais pessoas de grupos beneficiados por essa política — como alunos pobres, negros e de escolas públicas — ingressarem no ensino superior.

Outra consequência é que, necessariamente, os alunos aprovados nas cotas terão as menores notas, já que seus colegas que também tentaram as vagas reservadas e tiveram pontuação maiores ocuparam as posições na ampla concorrência. A mudança na legislação, porém, não determina que os estudantes sejam classificados nos moldes adotados inicialmente pela UFRJ.

Como nesse ano não haverá o Sisu no meio do ano e a seleção para o ano todo foi feita em janeiro, a UFRJ classificou os candidatos apenas pela pontuação, sem considerar a reserva de vagas em cada semestre — o que deixou estudantes de ampla concorrência no primeiro semestre e os cotistas no segundo.

No começo da noite, a universidade publicou uma nota sobre o caso:

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), por meio de sua Pró-Reitoria de Graduação e de sua Superintendência-Geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Acessibilidade, vem prestar informações necessárias acerca da recente repercussão do acesso aos seus cursos de graduação pelo Sistema de Seleção Unificada (SiSU) 2024. Atenta às preocupações enunciadas por seu corpo social e pela sociedade civil sobre a forma de entrada de candidatos(as) por ações afirmativas, a UFRJ ressalta o seu compromisso com a diversidade e a integração presentes na Lei 12.711/2012, alterada pela Lei 14.723/2023.

A última alteração na legislação estabeleceu que todos(as) os(as) candidatos(as) cotistas nas IFES devem concorrer primeiramente em uma única lista: a ampla concorrência. O(A) candidato(a) não selecionado(a) nessa modalidade passa a concorrer pelas ações afirmativas, o que amplia as possibilidades de acesso ao ensino superior uma vez que concorre em duas listagens simultaneamente.

A atual dinâmica do SiSU tem como característica uma única seleção, o que difere das edições anteriores, nas quais ocorriam duas seleções por ano. A Universidade tem se destacado na defesa de pautas relacionadas à diversidade e à representatividade da sociedade brasileira no ensino superior. Para tanto, no último ano, foi criado um órgão ligado diretamente ao Gabinete da Reitoria visando a tratar dos assuntos atinentes às ações afirmativas, à diversidade e à acessibilidade, integrado aos demais órgãos internos da instituição e que representa um esforço unívoco no fortalecimento de políticas públicas que visem a atacar as diversas desigualdades e promover a igualdade de oportunidades.

A Universidade Federal do Rio de Janeiro assegura a toda a sociedade que nenhum grupo será prejudicado no seu acesso e na sua permanência nesta instituição. A nova listagem do SiSU será divulgada até segunda-feira (5/2).

Com informações de O Globo.

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