TSE amplia parceria com plataformas digitais e empresas de IA para combate à desinformação eleitoral

Tribunal firma novos acordos com big techs para as eleições de 2026, enquanto presidente da Corte defende ações preventivas contra robôs, conteúdos falsos e uso indevido da inteligência artificial sem restringir a liberdade de expressão

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ampliou sua rede de cooperação com empresas de tecnologia para fortalecer o combate à desinformação durante as eleições de 2026. A Corte formalizou novos memorandos de entendimento com sete plataformas digitais e recebeu a adesão de empresas de inteligência artificial ao Programa Permanente de Enfrentamento à Desinformação.

Durante o encontro, realizado em Brasília, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que o objetivo é fortalecer mecanismos preventivos capazes de identificar e conter a atuação de robôs, redes de comportamento inautêntico e conteúdos manipulados por inteligência artificial antes que eles comprometam o processo eleitoral.

Segundo o magistrado, a iniciativa busca ampliar a cooperação entre a Justiça Eleitoral e as empresas de tecnologia, preservando a liberdade de expressão e sem interferir no debate político.

Big techs e empresas de IA aderem aos acordos

Nesta nova etapa, assinaram memorandos de entendimento com o TSE as plataformas Kwai, Telegram, Meta, TikTok, Google, X e LinkedIn. Paralelamente, as empresas de inteligência artificial ElevenLabs, OpenAI e Anthropic aderiram ao Programa Permanente de Enfrentamento à Desinformação por meio de termos de adesão.

A expectativa da Corte é que a Microsoft também oficialize sua participação nos próximos dias, ampliando a colaboração entre o setor público e empresas responsáveis por tecnologias amplamente utilizadas pelos eleitores.

Os memorandos estabelecem formas de cooperação específicas, adaptadas às características e à área de atuação de cada empresa, permitindo respostas mais rápidas diante de possíveis tentativas de manipulação do ambiente digital.

TSE aposta em prevenção para reduzir riscos

Durante seu pronunciamento, Kassio Nunes Marques ressaltou que a velocidade com que conteúdos falsos circulam nas redes sociais exige mecanismos de resposta igualmente eficientes. Segundo ele, a atuação preventiva permitirá que as plataformas adotem medidas operacionais com maior rapidez para conter práticas que possam comprometer a integridade das eleições.

O ministro afirmou que a construção de uma governança conjunta tem como foco antecipar riscos, aperfeiçoar procedimentos e fortalecer a confiança da sociedade nas informações relacionadas ao processo eleitoral.

A reunião entre o TSE e os representantes das plataformas teve duração aproximada de 15 minutos e foi destinada à formalização das parcerias, sem manifestações públicas dos representantes das empresas participantes.

Liberdade de expressão permanece preservada, afirma presidente do TSE

Ao abordar críticas sobre eventual censura nas redes sociais, Kassio Nunes Marques reforçou que os acordos não têm como finalidade restringir opiniões, limitar críticas ou estabelecer versões oficiais sobre temas políticos.

Segundo o presidente do TSE, a proposta é assegurar que os eleitores tenham acesso a informações confiáveis, reduzindo a disseminação de fraudes, falsificações, conteúdos manipulados e outras práticas capazes de influenciar de forma irregular a livre escolha do eleitor.

O ministro também destacou que as eleições de 2026 serão as primeiras realizadas após a popularização da inteligência artificial generativa, classificando a tecnologia como um dos principais desafios para a segurança informacional do processo eleitoral. Para ele, a troca permanente de informações, a capacitação das equipes e a criação de canais ágeis de comunicação serão fundamentais para enfrentar esse novo cenário.

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