Trump volta a defender Bolsonaro, após pedido de condenação no STF: ‘caça às bruxas’

Presidente dos EUA e diz que ex-presidente não é desonesto: “alguém que eu conheço”

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a se manifestar em defesa de Jair Bolsonaro nesta terça-feira (15), um dia após a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentar as alegações finais que pedem a condenação do ex-presidente brasileiro por cinco crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado.

Trump destacou que Bolsonaro “não é como se fosse meu amigo”, mas sim “alguém que conheço”, reiterando que ele representa “milhões de brasileiros” e que “luta por essas pessoas”.

O presidente dos EUA classificou Bolsonaro como “um bom homem” e disse que ele enfrenta uma injusta “caça às bruxas” no Brasil. “Conheci muitos primeiros-ministros, presidentes, reis e rainhas, e sei que sou muito bom nisso. O presidente Bolsonaro não é um homem desonesto. Ele ama o povo brasileiro. Lutou muito por eles”, afirmou o republicano.

A manifestação reforça o apoio de Trump a Bolsonaro, mesmo após o governo americano anunciar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros — medida que, segundo Trump, foi parcialmente motivada pela perseguição ao ex-presidente. “Ele negociou acordos comerciais contra mim em nome do povo brasileiro e foi muito duro, porque queria um bom negócio para seu país. Isso que está acontecendo é uma caça às bruxas e não deveria ocorrer”, declarou.

A fala do presidente americano ocorre em meio a críticas da oposição nos EUA. Na última sexta-feira (12), Hillary Clinton, ex-secretária de Estado e adversária de Trump nas eleições de 2016, ironizou a relação entre os dois. Em postagem na rede social Bluesky, chamou Bolsonaro de “amigo corrupto” de Trump ao criticar a nova política tarifária: “Você está prestes a pagar mais pela carne bovina não apenas porque Trump quer proteger seu amigo corrupto, mas porque os republicanos no Congresso decidiram ceder-lhe o seu poder sobre a política comercial”, escreveu.

Ação penal no STF

Na noite de segunda-feira (14), a PGR, sob comando de Paulo Gonet, entregou ao Supremo Tribunal Federal as alegações finais no processo que acusa Jair Bolsonaro de comandar uma tentativa de golpe de Estado. A manifestação de mais de 500 páginas pede a condenação de Bolsonaro e de outros sete investigados.

O ex-presidente é acusado dos crimes de tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Segundo Gonet, “as evidências são claras: o réu agiu de forma sistemática, ao longo de seu mandato e após sua derrota nas urnas, para incitar a insurreição e a desestabilização do Estado Democrático de Direito”.

O desfecho do processo no STF poderá ter impacto direto sobre o futuro político de Bolsonaro, inclusive sobre sua elegibilidade. Nos bastidores, aliados afirmam que o ex-presidente quer reaver o passaporte e participar da posse de Trump caso o republicano vença as eleições de novembro.

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