Trump diz que o Brics “morreu”, mas bloco liderado pelo Brasil manda recado de união

Presidente dos EUA ameaça tarifar em 100% os produtos oriundos do Brics, caso o bloco desdolarize suas transações comerciais

Nesta quinta (13) o Brasil encerrou a primeira reunião do Brics, o bloco que reúne as maiores economias emergentes do mundo. Horas depois do evento, o presidente estadunidense Donald Trump disse a jornalistas que “o Brics morreu”.

Esse não foi o primeiro ataque de Trump ao bloco, destaca Letícia Casado em sua coluna no portal UOL. Desde o fim de 2024 ele tem feito ameaças declaradas ao grupo, com foco especial no projeto do Brics para uma moeda que substitua o dólar. O estadunidense tem atacado outras instituições multilaterais e, ao assumir o cargo, retirou o país de acordos da ONU e da OMS.

Ontem, após a reunião, o Brics divulgou um comunicado cujo texto contempla uma resposta velada às ameaças do presidente estadunidense e trata da defesa do grupo. O material foi divulgado no início da tarde — antes da declaração de Trump sobre a “morte” do bloco — e não menciona os Estados Unidos.

Nas primeiras linhas, o documento destaca o “contexto de tensões geopolíticas que se aprofundam e que desafiam a frágil ordem multilateral internacional vigente”. O texto diz ainda que o Brasil tem em 2025 “duas grandes responsabilidades” com a presidência do Brics e da COP30, a conferência do clima da ONU.

“O recurso insensato ao unilateralismo e a ascensão do extremismo em várias partes do mundo ameaçam a estabilidade global e aprofundam as desigualdades que penalizam as populações mais vulneráveis em diferentes partes do planeta. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem destacado o potencial do Brics como espaço para construção das soluções de que o mundo tanto precisa. Mais do que nunca, a capacidade coletiva de negociar e superar conflitos por meio da diplomacia se mostra crucial.”

A reunião do bloco foi virtual, com o grupo que discute questões sobre o impacto da inteligência artificial e da crise climática no mercado de trabalho.

Ao final, Maíra Lacerda, chefe da assessoria de assuntos internacionais do Ministério do Trabalho, disse a jornalistas que as declarações de Trump mostram a relevância do Brics.

“O presidente Lula sempre entendeu que o Brics é um agrupamento de países muito importante. Todo esse barulho e esses comentários que têm sido feitos a respeito do Brics por parte do presidente estadunidense validam essa importância. Se não se tratasse de um grupo com relevância política e econômica, ninguém estaria falando desse grupo”, afirmou.

“A tendência é unir mais esses países.”

Brics x Trump

O Brics é um grupo de países parceiros entre as maiores economias emergentes do mundo, liderado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O bloco cresceu e passou a incluir Egito, Irã, Emirados Árabes Unidos e Etiópia, além de Arábia Saudita. Ao longo do ano, representantes dos dos governos participam de cerca de 150 reuniões para discutir esses pontos. Na Cúpula do Brics, os chefes de estado se encontram pessoalmente para assinar acordos.

O grupo defende o fortalecimento de organizações multilaterais, como o próprio bloco e alternativas para fomentar países em desenvolvimento.

Essas pautas vão na contramão das posições de Trump, que se diz contra a globalização e a qualquer instrumento que tire poder dos Estados Unidos —como, por exemplo, a negociação usando outra moeda que não o dólar.

Há anos os membros discutem a possibilidade de usar outra moeda nas transações comerciais entre países do grupo. Trump ameaça tarifar em 100% os produtos oriundos do Brics, caso o bloco avance com a ideia.

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