Trump diz que acordo com Irã será ‘excelente’ ou não haverá negociação

Presidente dos EUA volta a criticar pacto nuclear firmado por Barack Obama em 2015 enquanto Washington e Teerã tentam avançar em novo entendimento

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (25) que as negociações em andamento com o Irã só resultarão em um acordo caso o entendimento seja “excelente” e represente uma ruptura total em relação ao pacto nuclear firmado pelo ex-presidente Barack Obama em 2015.

A declaração foi publicada por Trump na rede Truth Social em meio às conversas diplomáticas envolvendo Washington e Teerã para tentar encerrar a guerra que atinge a região há três anos e reorganizar os termos das relações entre os dois países.

“O acordo com o Irã será ótimo e significativo, ou não haverá acordo. Será exatamente o oposto do desastre do JCPOA negociado pelo governo Obama, que representou um caminho direto e aberto para o Irã obter armas nucleares”, escreveu o presidente dos EUA.

O JCPOA, sigla em inglês para o acordo nuclear firmado durante o governo Obama, previa mecanismos rígidos de fiscalização internacional e buscava limitar a capacidade iraniana de desenvolver armas nucleares.

Trump retirou os Estados Unidos do pacto em 2018, alegando que o acordo era “defeituoso” e insuficiente para impedir o avanço nuclear iraniano.

Após a saída dos EUA, o Irã ampliou significativamente o enriquecimento de urânio, aumentando as tensões diplomáticas no Oriente Médio.

Negociações seguem cercadas de cautela

Apesar das recentes declarações otimistas de Trump, autoridades estadunidenses e iranianas vêm reduzindo as expectativas de um avanço imediato nas negociações.

O principal diplomata dos Estados Unidos afirmou que Washington pretende alcançar um “bom acordo”, mas sinalizou que o governo também considera outros caminhos caso as conversas fracassem.

Nos bastidores, representantes dos dois países seguem discutindo temas considerados extremamente sensíveis, como o programa nuclear iraniano, o conflito envolvendo Israel e o Hezbollah no Líbano, além das sanções econômicas impostas contra Teerã.

Trump elevou as expectativas de um possível entendimento no último sábado (23), ao afirmar que Washington e Teerã já haviam “negociado em grande parte” um memorando de entendimento.

Segundo interlocutores da Casa Branca, um dos pontos centrais do acordo envolveria a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo e gás natural liquefeito.

Antes da escalada dos conflitos na região, cerca de um quinto de toda a movimentação mundial desses combustíveis passava pelo estreito.

Irã admite negociações, mas mantém exigências

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã confirmou nesta segunda-feira que o país não pretende cobrar pedágio pela travessia do Estreito de Ormuz, embora tenha afirmado que “é normal que os serviços prestados tenham um preço”.

As negociações, porém, seguem travadas em diversos pontos.

Entre os principais impasses estão as exigências iranianas para suspensão das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos e a liberação de dezenas de bilhões de dólares em receitas petrolíferas iranianas atualmente congeladas em bancos estrangeiros.

Além disso, Washington tenta garantir limites mais rígidos para o programa nuclear do Irã e mecanismos internacionais permanentes de fiscalização.

Segundo um alto funcionário do governo Trump ouvido sob condição de anonimato, o Irã teria concordado “em princípio” com alguns pilares do acordo.

De acordo com o integrante da Casa Branca, Teerã aceitaria reabrir o Estreito de Ormuz em troca do fim do bloqueio naval dos EUA e também concordaria em se desfazer do estoque de urânio altamente enriquecido.

O mesmo funcionário afirmou que os Estados Unidos entenderam que o líder supremo iraniano, o aiatolá Mojtaba Khamenei, apoiou o esboço geral da negociação.

Urânio enriquecido continua sendo principal obstáculo

Apesar dos avanços diplomáticos relatados por integrantes do governo dos EUA, a questão do estoque de urânio enriquecido continua sendo o principal desafio das negociações.

Autoridades estadunidenses rejeitam versões de que o Irã teria recusado abrir mão do material.

“A questão é como”, afirmou um dos funcionários envolvidos nas negociações.

Outro integrante do alto escalão da Casa Branca informou no domingo (24) que a proposta em discussão prevê um prazo de 60 dias para que as partes cheguem a um acordo definitivo.

Fontes iranianas ouvidas pela agência Reuters afirmaram que soluções técnicas ainda estão sendo avaliadas para resolver o impasse envolvendo o urânio enriquecido.

Entre as possibilidades discutidas está a diluição gradual do material sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica, órgão nuclear ligado à ONU.

Enquanto as negociações avançam lentamente, o governo Trump tenta diferenciar o novo entendimento das políticas adotadas durante a gestão Obama, ao mesmo tempo em que busca conter o avanço da influência iraniana no Oriente Médio e reduzir o risco de ampliação dos conflitos na região.

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