O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfrenta um dos momentos mais delicados de sua trajetória política. Uma nova pesquisa realizada pelo New York Times/Siena College mostra que apenas 37% dos americanos aprovam sua gestão, o menor índice registrado pelo levantamento durante seus dois mandatos.
A queda representa recuo de quatro pontos percentuais em relação à sondagem anterior, divulgada em janeiro, e coloca Trump em um território político pouco explorado até então. Ao longo da última década, analistas apontavam que o republicano possuía uma base sólida e resistente, capaz de sustentar sua popularidade mesmo diante de crises e turbulências.
Agora, porém, os números sugerem desgaste crescente.
Custo de vida e guerra no Irã pressionam Casa Branca
Entre os fatores que mais impactam a avaliação negativa estão o aumento do custo de vida e a condução da política externa.
Segundo a pesquisa, apenas 28% dos entrevistados aprovam a atuação de Trump no combate à inflação e no controle dos preços. Já sua condução do conflito envolvendo o Irã também enfrenta resistência: somente 31% aprovam sua estratégia militar e diplomática.
Apenas 30% consideram correta a decisão do governo de autorizar ataques contra o Irã, sinalizando forte rejeição popular ao tema.
A combinação entre tensão internacional e impacto econômico interno gera preocupação dentro do Partido Republicano, especialmente em um momento decisivo do calendário eleitoral.
Democratas ampliam vantagem para o Congresso
O levantamento também mostra avanço expressivo dos democratas na corrida legislativa.
Quando questionados sobre qual partido pretendem apoiar nas eleições para o Congresso, 50% dos eleitores registrados disseram preferir candidatos democratas, contra 39% que escolheriam republicanos.
A diferença de 11 pontos percentuais representa crescimento significativo da vantagem democrata em comparação às pesquisas anteriores, que apontavam margem entre dois e cinco pontos.
Entre eleitores com alta probabilidade de comparecer às urnas, a vantagem democrata sobe ainda mais, chegando a 14 pontos percentuais.
Caso esse cenário se confirme, os republicanos podem enfrentar dificuldades não apenas na Câmara, mas também em disputas estratégicas no Senado.
Jovens e eleitores latinos se afastam de Trump
Outro dado considerado alarmante para a campanha republicana é a deterioração da imagem de Trump entre grupos-chave.
Entre eleitores de 18 a 29 anos, apenas 19% aprovam sua gestão. Já entre eleitores hispânicos, o índice é de apenas 20%.
Os números indicam retomada da vantagem tradicional democrata entre jovens e minorias, grupos que haviam demonstrado maior competitividade republicana em ciclos recentes.
Esse movimento pode dificultar ainda mais qualquer tentativa de recuperação eleitoral antes de novembro.
Comparações com ex-presidentes preocupam estrategistas
Analistas já começam a comparar o momento de Trump com crises enfrentadas por ex-presidentes americanos como George W. Bush, Jimmy Carter, Lyndon B. Johnson e Harry S. Truman.
Em comum, todos enfrentaram desgaste provocado por conflitos internacionais e dificuldades econômicas domésticas, fatores que causaram perdas políticas relevantes para seus partidos.
No caso de Bush, por exemplo, a guerra no Iraque e os altos preços da gasolina fizeram sua aprovação despencar gradualmente durante o segundo mandato.
Republicanos temem impacto além das eleições de meio de mandato
Historicamente, partidos que ocupam a Casa Branca costumam perder força nas eleições legislativas intermediárias. No entanto, estrategistas republicanos avaliam que o cenário atual pode ser ainda mais severo.
Se Trump permanecer com aprovação abaixo de 40%, o partido pode enfrentar consequências de longo prazo, comprometendo inclusive a disputa presidencial seguinte.
Na era moderna das pesquisas eleitorais, há poucos precedentes de partidos governistas conseguindo manter a presidência quando o chefe do Executivo apresenta índices tão baixos de aprovação.
Para aliados de Trump, o desafio agora será conter a erosão política e evitar que a combinação entre inflação, guerra e desgaste institucional aprofunde ainda mais a crise de popularidade do presidente.






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