O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aprovou formalmente um acordo de cooperação nuclear com a Arábia Saudita que permitirá ao país enriquecer urânio sem adotar as restrições internacionais normalmente exigidas para impedir o desenvolvimento de armas nucleares. A informação foi publicada pelo The Wall Street Journal nesta terça-feira (21), com base em relatos de autoridades do governo dos EUA.
Segundo a reportagem, o entendimento terá duração de 30 anos e movimentará bilhões de dólares em investimentos, consolidando uma parceria estratégica entre Washington e Riad no setor de energia nuclear.
O acordo ainda deverá ser submetido à análise do Congresso dos Estados Unidos nos próximos dias, etapa prevista para acordos dessa natureza.
Projeto prevê instalações nucleares na Arábia Saudita
De acordo com o Wall Street Journal, o documento autoriza a construção de instalações de enriquecimento de urânio em território saudita por empresas dos EUA.
As unidades seriam desenvolvidas a partir de estudos conjuntos realizados por técnicos dos governos dos Estados Unidos e da Arábia Saudita.
Ainda segundo a publicação, integrantes da administração Trump argumentam que a participação direta de empresas e autoridades dos EUA dará ao país influência sobre o programa nuclear saudita, reduzindo o risco de eventual desvio da tecnologia para objetivos militares.
Essa justificativa é utilizada pelo governo para sustentar que o acordo fortalece a cooperação bilateral ao mesmo tempo em que preserva mecanismos de controle sobre o desenvolvimento do programa nuclear do país do Oriente Médio.
Especialistas apontam riscos
Apesar das garantias apresentadas por integrantes do governo dos EUA, especialistas em não proliferação nuclear demonstram preocupação com os termos do acordo.
No último sábado (18), a CNN Brasil informou que a administração Trump havia concordado, em princípio, com a possibilidade de a Arábia Saudita enriquecer urânio sem a adoção das restrições internacionais tradicionalmente aplicadas nesse tipo de cooperação.
Especialistas ouvidos pela emissora alertaram que, sem salvaguardas rigorosas, o acordo poderia abrir caminho para que o país desenvolvesse capacidade de produzir armas nucleares.
As preocupações são reforçadas pelo cenário geopolítico do Oriente Médio e pelas declarações feitas anteriormente pelo príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman.
O líder saudita já afirmou que seu país desenvolveria armas nucleares caso o Irã — principal rival regional da Arábia Saudita — viesse a obter uma bomba atômica.
Essa possibilidade faz com que analistas acompanhem com atenção qualquer avanço do programa nuclear saudita.
Governo dos EUA evita comentar
Até o momento, a Casa Branca não respondeu aos questionamentos sobre o conteúdo do acordo divulgado pelo Wall Street Journal.
Em vez de comentar diretamente a reportagem, o governo encaminhou a imprensa para uma declaração feita em outubro de 2025 pelo secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, quando anunciou o encerramento das negociações entre os dois países.
Na ocasião, Wright destacou que a cooperação teria finalidade exclusivamente civil.
“Chegamos a um acordo de cooperação nuclear para fins civis”, disse Wright na ocasião.
O secretário também ressaltou os objetivos da parceria.
“Juntamente com acordos bilaterais de salvaguardas, queremos ampliar nossa parceria, levar a tecnologia nuclear americana para a Arábia Saudita e manter um compromisso firme com a não proliferação.”
Até a publicação da reportagem, a Embaixada da Arábia Saudita em Washington também não havia respondido aos pedidos de posicionamento sobre o acordo.
Próximos passos
A expectativa agora é pela análise do documento pelo Congresso dos EUA, que poderá discutir os termos da cooperação e avaliar os mecanismos de fiscalização previstos para impedir eventual uso militar da tecnologia nuclear.
Caso seja mantido nos moldes divulgados pelo Wall Street Journal, o acordo representará um dos maiores entendimentos de cooperação nuclear entre Estados Unidos e Arábia Saudita, ampliando a parceria estratégica entre os dois países, mas também alimentando o debate internacional sobre os riscos de proliferação nuclear em uma das regiões mais instáveis do mundo.






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