O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (17) que conversará por telefone com os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, na próxima segunda-feira (19), em uma tentativa de intermediar um cessar-fogo no conflito que já dura mais de três anos.
O anúncio acontece um dia após o primeiro encontro presencial entre delegações russas e ucranianas desde o início da guerra, realizado em Istambul, na Turquia. O encontro, esvaziado pela ausência dos dois presidentes, terminou sem acordo de cessar-fogo, mas com promessas de continuidade do diálogo e uma troca histórica de prisioneiros.
Trump publicou o comunicado em sua rede social, Truth Social, e disse que sua prioridade será pôr fim à violência. “Os assuntos da ligação serão: parar o ‘banho de sangue’ que está matando, em média, mais de 5.000 soldados russos e ucranianos por semana. E o comércio”, escreveu.
Rússia e EUA já iniciam contatos diretos
Enquanto a ligação entre os presidentes não ocorre, os chefes das diplomacias russa e estadunidense, Sergei Lavrov e Marco Rubio, já conversaram neste sábado por telefone. Segundo o Ministério das Relações Exteriores da Rússia, os chanceleres trocaram impressões sobre os resultados do encontro em Istambul e prepararam o terreno para as conversas entre Trump e Putin.
Na última quinta-feira (15), Trump já havia dito que “nada vai acontecer” até que ele falasse com o presidente russo, sinalizando seu protagonismo nas negociações.
Delegações se reúnem, mas sem avanço concreto
Na sexta-feira (16), representantes de Rússia e Ucrânia se encontraram em Istambul, mas a ausência de Putin e Zelensky frustrou expectativas de um cessar-fogo. Ainda assim, os dois lados concordaram com a maior troca de prisioneiros desde o início da guerra: cada país devolverá mil detidos do lado inimigo.
A delegação russa foi liderada por Vladimir Medinski, ex-ministro da Cultura e atual conselheiro de Putin, enquanto a ucraniana foi chefiada pelo ministro da Defesa, Roustem Oumerov. O encontro durou menos de duas horas.
O presidente ucraniano, que inicialmente havia autorizado sua equipe a negociar uma trégua imediata, criticou a ausência de Putin. “Todos perceberam que a delegação russa em Istambul era de nível muito baixo. Nenhum deles era realmente alguém que toma decisões na Rússia”, afirmou Zelensky, acusando Moscou de “não levar a sério” as tratativas.
A Ucrânia se diz pronta para uma trégua imediata. “A delegação ucraniana está hoje em Istambul para chegar a um cessar-fogo incondicional: esta é a nossa prioridade”, declarou Andriy Yermak, chefe do gabinete presidencial de Zelensky, antes do início do encontro.
Cessar-fogo condicionado a concessões territoriais
De acordo com uma fonte da delegação ucraniana ouvida pela agência Reuters, os russos propuseram o cessar-fogo sob a condição de que Kiev renunciasse às regiões atualmente ocupadas por Moscou — cerca de 20% do território ucraniano. Zelensky, no entanto, já declarou que essa hipótese é inaceitável.
O Kremlin, por sua vez, afirmou neste sábado estar “aberto” a uma reunião entre Putin e Zelensky, mas condicionou o encontro à obtenção de “alguns resultados” nas negociações em andamento. “Acreditamos que seja possível, mas somente se for resultado do trabalho entre ambas as partes e após chegarmos a alguns resultados na forma de acordo”, disse o porta-voz Dmitry Peskov.
Participação de Erdogan e diplomacia estadunidense
Zelensky foi recebido na quinta-feira (15) pelo presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, em Ancara. Na ocasião, o líder ucraniano reiterou estar pronto para negociações diretas com Putin e criticou a ausência do presidente russo, classificando-a como “uma falta de respeito” tanto com Trump quanto com Erdogan.
Além disso, as tratativas agora contarão com a presença do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, do embaixador estadunidense em Ancara, Tom Barrack, e do representante especial dos EUA para a Ucrânia, Keith Kellogg.
Rubio reconheceu que as expectativas para um avanço significativo são baixas. “A equipe russa enviada por Vladimir Putin está abaixo do nível esperado”, disse.
Putin cobra garantias e fim do apoio militar ocidental
O presidente russo ainda exige que a Ucrânia desista da entrada na Otan, reconheça a soberania russa sobre quatro regiões ucranianas, incluindo a Crimeia, e interrompa o recebimento de armas ocidentais.
Trump, por sua vez, tem tentado se posicionar como figura-chave no avanço das negociações, insinuando até a possibilidade de viajar à Turquia caso surjam sinais concretos de progresso.





