Trump ameaça ‘explodir tudo’ no Irã e ‘assumir o petróleo’

ONU repudiou a fala e porta-voz da presidência do Irã disse que Trump é um ‘estúpido desgraçado’

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a elevar o tom contra o Irã ao afirmar que poderá intensificar ataques caso não haja acordo para a reabertura do Estreito de Ormuz, informa reportagem do portal UOL. Em meio a negociações diplomáticas, o republicano disse que há chances de entendimento, mas condicionou a redução das hostilidades à liberação da rota marítima estratégica.

Em entrevista à Fox News, Trump indicou que pretende formalizar um acordo para encerrar o conflito, mas fez novas ameaças caso as tratativas fracassem.

“Se não fecharem um acordo, e rápido, estou considerando explodir tudo e assumir o controle do petróleo”, disse Donald Trump.

Pressão por acordo e escalada militar

O presidente dos EUA afirmou que a terça-feira será decisiva e prometeu ataques coordenados contra alvos de infraestrutura no Irã, caso não haja avanço nas negociações.

Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que poderá atingir instalações estratégicas do país.

“Abram o maldito Estreito, seus bastardos loucos, ou vocês vão viver no inferno. Aguardem para ver!”, disse Donald Trump, no Truth Social.

Trump também reiterou que os Estados Unidos não dependem do petróleo transportado pelo estreito e defendeu que outras nações assumam a responsabilidade pela segurança da rota.

“Os Estados Unidos praticamente não importam petróleo pelo Estreito de Ormuz, e não vamos importar nada no futuro. Não precisamos disso. Os países do mundo que recebem riqueza dali devem cuidar dessa passagem”, disse Trump, em pronunciamento

Nos últimos dias, o governo dos EUA já havia estabelecido prazos para um acordo, incluindo um ultimato de 48 horas após um prazo anterior de dez dias.

Negociações e tentativa de reabertura

Enquanto as ameaças se intensificam, Irã e Omã discutem alternativas para a reabertura do Estreito de Ormuz. Autoridades dos dois países se reuniram após o ultimato dos Estados Unidos para avaliar soluções que permitam a retomada do fluxo marítimo.

Segundo o ministro das Relações Exteriores de Omã, foram apresentadas diferentes propostas com o objetivo de garantir uma reabertura “tranquila e segura” da rota.

O estreito permanece fechado há mais de um mês, o que tem ampliado a pressão sobre mercados internacionais.

Reações do Irã e da ONU

As declarações de Trump provocaram reação imediata do governo iraniano. “Estúpido desgraçado”, reagiu o porta-voz da presidência do Irã ao falar de novo ultimato de Trump.

“Ele recorreu a obscenidades e absurdos por puro desespero e raiva. O estúpido desgraçado iniciou uma guerra em grande escala na região e ainda se vangloria disso”, disse Seyyed Mehdi Tabatabaei Tabatabaei, em publicação hoje no X (antigo Twitter).

A Organização das Nações Unidas também se manifestou, criticando as ameaças e alertando para o risco de escalada do conflito.

“Se a consciência das Nações Unidas estivesse viva, não permaneceria em silêncio diante da ameaça flagrante e descarada do belicista presidente dos Estados Unidos de atacar infraestruturas civis”, escreveu a organização em publicação no X.

“Trump busca arrastar a região para uma guerra sem fim. Isso é uma incitação direta e pública ao terror contra civis e uma clara evidência de intenção de cometer crimes de guerra”, disse a ONU, em comunicado

A entidade afirmou ainda que a comunidade internacional tem a responsabilidade de agir para evitar agravamento da crise.

Impactos globais e mercado de petróleo

O bloqueio do Estreito de Ormuz tem causado efeitos diretos na economia global. A rota marítima é responsável pelo transporte de cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo, além de outros produtos estratégicos, como fertilizantes e plásticos.

Desde o fechamento, os preços do petróleo dispararam. O barril do tipo Brent acumulou alta de 50,7% desde o fim de fevereiro, passando de US$ 71,48 para US$ 109,24.

A possível reabertura da passagem é vista como essencial para aliviar a pressão sobre os mercados e reduzir a volatilidade nos preços de energia.

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