No julgamento dos atos golpistas de 8 de janeiro, três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) já votaram para condenar o segundo o réu pelos ataques às sedes dos três poderes. O relator, ministro Alexandre de Moraes, propôs condenar Thiago de Assis Mathar a uma pena de 14 anos de prisão. O revisor, ministro Nunes Marques, sugeriu a pena de dois anos e seis meses em regime aberto;o ministro Cristiano Zanin votou por uma pena de 11 anos de prisão.
Mais cedo, o primeiro réu que teve o caso analisado foi sentenciado a 17 anos. Nesta tarde de quinta-feira (14), os ministros analisam a ação penal contra Thiago de Assis Mathar, de 43 anos. Ele está preso em Brasília desde 9 de janeiro.
O relator condenou Mathar por cinco crimes: associação criminosa armada, dano qualificado, deterioração de patrimônio tombado, tentativa de golpe de Estado e tentativa de abolir o estado democrático de direito.
— Não há nenhuma dúvida da participação, do animus de intervenção golpista, de atentado ao livre funcionamento dos poderes — afirmou Moraes.
Assim como os demais réus, ele foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) pelos crimes de associação criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça, com uso de substância inflamável.
Produtor rural de Penápolis, também em São Paulo, foi convidado por extremistas acampados no quartel de São José do Rio Preto, município vizinho, a participar de uma viagem de ônibus até a capital federal. Ele sustenta que só ingressou nas dependências do Palácio do Planalto, onde acabaria preso pela Polícia Militar, em busca de proteção contra “bombas e tiros” disparados pelos agentes.
Mathar admitiu, porém, que estendeu cortinas dentro da sede do governo para ajudar que outros manifestantes entrassem — segundo ele, um apoio para que “mulheres de idade” ficassem em segurança. O produtor rural sustenta que participava de uma caravana “para um Brasil melhor”, mas nega a “intenção de dar golpe ou depor o governo eleito”, pretendendo somente “manifestar seu descontentamento”.
O acusado é casado e tem dois filhos, de 4 e de 6 anos. No fim de junho, sua mãe, avó das crianças, divulgou uma petição em que pedia a liberdade do “patriota”, que estaria “preso injustamente”, e mencionava que os netos “estão sofrendo muito, pois ele é o provedor do lar”. A iniciativa havia alcançado 74 assinaturas até o fim da noite desta quarta-feira.
Ao condenar por maioria de votos o primeiro réu, Aécio Lúcio Pereira, os ministros seguiram o posicionamento do relator, ministro Alexandre de Moraes.





