O general da reserva Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) durante o governo Jair Bolsonaro, optou por não responder a perguntas do ministro Alexandre de Moraes, durante o interrogatório desta terça-feira no Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da ação penal que apura uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Ele está respondendo somente a perguntas feitas por seu advogado, Matheus Milanez.
Heleno, apontado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como parte do núcleo central da suposta trama golpista, foi o quinto réu a prestar depoimento nesta semana. O general negou ter conhecimento do plano golpista intitulado “Punhal Verde e Amarelo”
Após seu depoimento, Moraes interrompeu a sessão, que será retomada às 14h30, com o depoimento do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No interrogatório de Heleno, Moraes afirmou que leria todas as perguntas previamente preparadas para que constassem nos autos. Entre os temas abordados estavam a presença de Heleno em uma reunião ministerial em julho de 2022, anotações apreendidas em documentos da Polícia Federal e conversas com outros militares.
Quando questionado por sua própria defesa sobre declarações na reunião — em que mencionou a possibilidade de infiltrar agentes da Abin em campanhas eleitorais —, Heleno negou que tivesse dado ordem para tal operação:
— Não havia tempo para fazer infiltração. A ideia era acompanhar de perto o que acontecia e agir em prol de não realização de coisas que fossem prejudicar o andamento das campanhas — declarou.
Torres diz que não achou indícios de frades nas urnas
Outros réus ouvidos no processo também negaram envolvimento em qualquer plano golpista. O ex-ministro da Justiça Anderson Torres afirmou que a Polícia Federal nunca encontrou indícios de fraudes nas urnas eletrônicas. Segundo ele, essas informações sempre foram comunicadas ao então presidente Bolsonaro:
— Eu sempre passei isso, que tecnicamente nós não tínhamos nada a passar ao presidente sobre urnas eletrônicas — disse Torres a Moraes.
Torres negou ainda ter participado de qualquer reunião com teor golpista e declarou não ter solicitado à então diretora de inteligência da pasta, Marília Alencar, a produção de relatórios que cruzavam dados de votação e preferência partidária de prefeitos para possível uso político pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) no segundo turno de 2022. Ele afirmou que os documentos foram iniciativa de Marília e que os descartou imediatamente:
— Nunca tinha visto essa métrica de 75%. Era normal que em alguns locais um candidato tivesse esse percentual. Não vi indício de crime, então descartei de imediato — afirmou.
Garnier nega que colocou tropas à disposição para golpe
O ex-comandante da Marinha Almir Garnier também depôs nesta terça-feira. Ele confirmou ter participado de uma reunião no Palácio da Alvorada em 7 de dezembro de 2022, na qual foi apresentado, em uma tela de computador, um cenário político-social que incluía a possível decretação de uma Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Garnier minimizou o conteúdo da apresentação:
— Não se aprofundou em nada. Foi algo apresentado numa tela… Não vi minuta, não recebi documento.
Garnier negou que tenha colocado as tropas da Marinha à disposição de Bolsonaro, como havia declarado Mauro Cid em seu depoimento. Segundo o almirante, o encontro não teve deliberações:
— O presidente fez considerações, mais como preocupações e análises de possibilidades. A única questão concreta era a preocupação com a segurança pública, com a qual a GLO poderia ser adequada — disse.
Ele também foi questionado sobre outra reunião no Ministério da Defesa, em 14 de dezembro, conduzida pelo então ministro Paulo Sérgio Nogueira. Garnier afirmou que a reunião foi estranha e que não houve discussão substancial:
— Cheguei depois dos colegas. O ministro estava chateado, Freire Gomes também. As pessoas estavam com aquela cara de que “comemos e não gostamos”.
As oitivas dos réus, todas conduzidas pelo ministro Moraes, estão ocorrendo na sala da Primeira Turma do STF. Com exceção do general Braga Netto, que participa por videoconferência por estar preso preventivamente no Rio de Janeiro, todos os demais réus estão sendo ouvidos presencialmente. As sessões seguem ordem alfabética e incluem





