Traficantes são condenados a mais de 70 anos por execução de policial na Baixada Fluminense

Criminosos foram acusados de matar PM na frente dos filhos em Belford Roxo; crime foi considerado vingança do tráfico

A Justiça do Rio condenou dois criminosos a penas que somam mais de 70 anos de prisão pelo assassinato do policial militar Francisco Fernandes de Souza, executado a tiros na frente dos próprios filhos em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, em 2019.

O julgamento ocorreu nesta quinta-feira (12), no I Tribunal do Júri da Capital. Cremilson Almeida de Souza, conhecido como Coroa, foi condenadeo a 37 anos e seis meses de reclusão pelo homicídio qualificado do PM. Leonardo da Silva Oliveira, o Monstrão ou Palhacinho, apontado como um dos executores do crime, recebeu pena de 34 anos e seis meses de reclusão.

A condenação foi obtida pela 1ª Promotoria de Justiça junto ao I Tribunal do Júri da Capital, do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).

Segundo as investigações, o policial participava de uma comemoração de aniversário na porta de casa quando foi surpreendido por homens armados que abriram fogo. O ataque aconteceu na presença dos filhos da vítima, de três e seis anos.

De acordo com o Ministério Público, o crime foi motivado por vingança e demonstração de poder do tráfico de drogas na região. O policial morava no local e havia repreendido usuários de drogas, que relataram o episódio a traficantes da comunidade.

Regra imposta pelo tráfico

Para o MPRJ, Cremilson Coroa, apontado como gerente do tráfico na comunidade do Roseiral, mantinha uma regra rígida na área sob seu controle: moradores não poderiam manter qualquer tipo de relação com policiais, nem mesmo amizade.

As investigações apontam que ele ordenava punições e execuções contra quem descumprisse a determinação. Em 2018, por exemplo, teria mandado matar dois moradores que tinham amizade com policiais — um deles sobreviveu. O criminoso também chegou a divulgar uma lista com nomes de pessoas que deveriam ser eliminadas por terem ligação com agentes de segurança.

Crime considerado qualificado

O Conselho de Jurados acolheu a tese do Ministério Público de que o assassinato foi cometido por motivo torpe, com recurso que dificultou a defesa da vítima e contra agente de segurança pública em razão da função.

Na sentença, a Justiça destacou a gravidade da execução e o impacto social do crime, especialmente por ter ocorrido diante dos filhos do policial.

Histórico de violência

Cremilson Almeida de Souza também foi apontado em outras investigações relacionadas a crimes violentos na Baixada Fluminense. Em 2017, ele já havia sido citado como participante da morte do cabo da PM Daniel dos Santos Silva, morto após entrar por engano na comunidade do Parque Roseiral.

Na ocasião, o militar, que era lotado na UPP Rocinha, teria ido ao local com amigos para buscar um balão em queda e acabou reconhecido por traficantes. Segundo a polícia, ele foi separado do grupo, levado pelos criminosos e morto a tiros.

O caso foi investigado pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF).

Daniel tinha 29 anos, havia servido ao Exército como paraquedista antes de ingressar na Polícia Militar e deixou esposa e uma filha.

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