TJRJ aceita denúncia contra policial acusado de fornecer armas a milicianos na Baixada

Flávio Cordeiro Candreva foi preso em operação conjunta entre Polícia Civil e MPRJ

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) aceitou a denúncia do Ministério Público contra o policial civil Flávio Cordeiro Candreva, acusado de fornecer armas para milicianos de Queimados, na Baixada Fluminense. Candreva foi preso na terça-feira (2), durante uma operação realizada em conjunto pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio (MPRJ).

Na mesma ação, também foi detido Paulo Alberto de Lima, ex-funcionário da Secretaria Municipal de Assistência Social de Queimados. Já João Carlos Lustosa da Costa, conhecido como “João Jacutinga” e apontado como chefe da quadrilha, segue preso preventivamente. Outras duas pessoas seguem foragidas.

Esquema envolvia armas, transporte e proteção a comparsas

De acordo com as investigações, Flávio Cordeiro usava sua posição de policial civil para dificultar operações que poderiam levar à prisão de integrantes da organização criminosa.

O ex-servidor Paulo Alberto teria atuado como motorista dos milicianos, inclusive utilizando um carro do Conselho Tutelar enquanto ainda estava lotado na secretaria municipal. Ele também fornecia informações estratégicas para facilitar encontros entre os chefes da milícia.

Extorsão e fachada de empresa de segurança

O grupo atuava principalmente nos bairros de Fanchem, Porteira e Paraíso, em Queimados. Segundo o MPRJ, comerciantes e mototaxistas eram obrigados a pagar taxas de segurança sob ameaça armada.

Em alguns casos, os criminosos chegavam a recolher as chaves das motocicletas de quem não pagava. Para dar aparência de legalidade à cobrança, os acusados usavam a fachada da empresa Mibius Segurança Privada, distribuindo cartões de contato e chaves PIX para recolher o dinheiro.

Decisão judicial e possíveis penas

A denúncia foi aceita pela 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa do TJRJ. Caso sejam condenados, os réus responderão pelos crimes de milícia privada e extorsão qualificada, cujas penas podem chegar a mais de 20 anos de prisão.

O juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira, responsável pela decisão, destacou que Candreva utilizava o cargo de policial civil para proteger a quadrilha e que Paulo Alberto cobrava comerciantes e motoristas usando veículo oficial do Conselho Tutelar.

Outros investigados

Além dos três principais acusados, o processo cita ainda Carlos de Paula Souza, apontado como destinatário de transferências bancárias da organização. Também foram mencionados Daniel Temporim Tete Machado, ex-militar suspeito de ligação com milícia de Curicica, e outros envolvidos que seguem sob investigação.

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