O festival I Wanna Be Tour, onde o jovem João Vinícius Ferreira Simões morreu eletrocutado no último sábado, tem recebido diversas denúncias do público que foi ao evento. Internautas citam, nas páginas da produtora no Instagram, irregularidades, e duas testemunhas ouvidas pelo jornal O GLOBO alegam que, assim como o estudante de Educação Física, também levaram choques no local. Um deles é Rodrigo Motta, que é formado em eletrotécnica.
— Um pouco depois do início do evento, decidi comer algo, esperei o pedido ficar pronto e encostei num bloco de ferro que era usado como suporte para prender uma tenda. Eu estava suado e senti aquele choque, como se fosse uma agulha. Levei um susto e falei para o amigo que estava comigo: “Caramba! Acabei de tomar um choque”. Eu tinha encostado num bloco de ferro de alumínio que tinha uns 40 centímetros de altura por uns 30 centímetros. Nele tinha um ferro fincado para fazer o peso para as amarrações e a tenda. Nesse processo, acredito que por economia ou pressa, colocaram parte da fiação em cima. E como não teve aterramento, servia como um ótimo condutor de energia — diz Rodrigo, de 33 anos, que é gerente operacional.
O homem conta que logo entrou em contato com uma pessoa que trabalhava na barraca e com outra que era da área de produção:
— Eu disse: “Acabei de tomar um choque “. E apontei que a fiação da luz estava presa no ferro. Eu falei: “Tem que avisar à manutenção”. Eu o vi falando pelo rádio. Se ele estava falando com alguém de verdade, eu não sei. Agradeci e ele também. E ficou por isso mesmo.
O velório de João Vinícius Ferreira Simões aconteceu nesta segunda-feira, no Cemitério Municipal de Maricá, na Região Metropolitana do Rio.
Rodrigo, que não conhecia João Vinícius, conta que em outros momentos do festival constatou, por ser especialista, que outras estruturas estavam com irregularidades:
— Havia banheiros químicos. Fizeram uma pia e usaram uma placa de alumínio dividindo a área masculina e feminina. Atrás dessa pia, tinha um cabo de energia, como se fosse uma bitola, de no mínimo 380 volts. Estava aberto logo atrás da torneira, com água respingando. Perto dali estavam uns seis seguranças. Eu avisei a eles que o risco de acontecer algum problema era muito grande. Um deles falou: “Não. Está tudo certo”. E eu disse: “Já tomei um choque mais cedo. Isso tem que ser passado para frente”. Todas as vezes que eu via alguma estrutura, mostrava as que não tinham aterramento.
Num comunicado emitido neste fim de semana, a empresa 30e, organizadora do evento, afirmou que houve protocolos de segurança. “Na noite deste sábado, 9 de março, uma forte chuva atingiu o Rio de Janeiro enquanto o evento I Wanna Be Tour era realizado no Riocentro, e o público se dirigiu para a marquise coberta, seguindo os protocolos de segurança. Neste momento, lamentavelmente, ocorreu um incidente na área descoberta próxima a um food truck terceirizado: o jovem João Vinícius Ferreira Simões foi atingido por uma descarga elétrica”, diz um trecho da nota.
Rodrigo e outra testemunha ouvida pela reportagem, Julia, que não quis ter o sobrenome identificado, negam que o público tenha sido orientado.
— Eu fui comer num food truck que ficava perto de uns carrinhos de pipoca, na pista premium, um pouco antes de começar a chover. O carrinho tem uma mesinha de ferro presa. Eu encostei ali, levei um choque, cheguei a dar um pulo para trás. Parecia que tinham me batido. Fiquei assustada. Uma amiga estava do meu lado e também se assustou. Mais tarde, quando a chuva apertou, só subiram no palco para dizer que ainda estavam avaliando se o festival ia continuar por conta das condições do tempo, mas não deram nenhuma orientação — conta ela, que é estudante e diz também ter falado com funcionários do trailer que a estrutura estava energizada.

Com informações do GLOBO.
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