O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou 13 pessoas e solicitou a prisão preventiva de nove em relação ao caso da morte do universitário João Vinícius Ferreira, de 25 anos, que morreu em decorrência de uma descarga elétrica durante um festival de rock na Barra da Tijuca, em março. A denúncia foi apresentada na última quarta-feira, com os promotores afirmando que os organizadores do evento assumiram o risco de causar a morte.
João Vinícius morreu ao encostar em um food truck durante o festival I Wanna Be Tour, quando foi eletrocutado. A denúncia destaca várias falhas na organização do evento, incluindo a presença de apenas dois eletricistas para atender a um público de aproximadamente 12 mil pessoas, a falta de supervisão técnica adequada e a alteração da cena do acidente, o que pode ter comprometido a investigação.
A produtora responsável pelo festival, a 30e, é conhecida por organizar eventos de grande porte, incluindo a próxima turnê de Gilberto Gil, prevista para 2025, e shows de Roberto Carlos programados para o fim de novembro deste ano. A empresa foi contatada pela imprensa nos dias seguintes ao incidente, mas não havia se pronunciado publicamente até o momento da publicação da reportagem.
Na denúncia, os promotores afirmam que a conduta dos indiciados não apenas resultou em homicídio por dolo eventual, mas também revela uma prática comum do grupo, que demonstra fragilidade e amadorismo na organização de eventos. A mãe de João, Roberta Isaac, expressou sua dor, afirmando que “perder um filho em um evento que deveria ser seguro é algo que nenhuma mãe deveria enfrentar”. Ela destacou a importância de que o processo judicial leve em consideração a vida que foi perdida, para que o caso não seja tratado com descaso ou esquecimento.
Na ocasião, testemunhas afirmaram à polícia terem sentido os choques elétricos antes da morte de João e alertado a organização. Segundo a denúncia, as tomadas foram conectadas a fontes inadequadas, sem isolamento, e aterradas para encobrir o escape de energia.
Uma empresa terceirizada, contratada por R$ 86 mil segundo o inquérito, enviou apenas dois eletricistas com uma diária de R$ 220 e três ajudantes. O engenheiro eletricista responsável, Eli Felipe Valadão Belo, não compareceu ao evento. Ele é um dos denunciados sob acusação de homicídio. A reportagem fez contato com Belo também na quinta, mas não recebeu resposta.
As investigações apontaram que, após a descarga elétrica, quatro responsáveis pelo evento ordenaram a desmontagem dos food trucks e dificultaram o trabalho da perícia. O Ministério Público deu dez dias para que os denunciados enviem uma resposta por escrito à Promotoria.
Em julho, a 30e anunciou a segunda edição do festival para os dias 15 e 22 de fevereiro, em São Paulo e Curitiba. Os ingressos estão esgotados.
Com informações da Folha de S. Paulo.




