Teste revela que viagens na zona Sul do Rio serão mais demoradas sem o metrô na superfície

Integração dos passageiros das estações Botafogo e Antero de Quental será feita por meio de seis linhas de ônibus convencionais

O Metrô na Superfície (MNS) fez a sua última viagem às 23h30 de ontem, após mais de duas décadas de operação, integrando o bairro da Gávea às estações de Botafogo e Antero de Quental, na Zona Sul do Rio. Anunciada há uma semana, a decisão da concessionária MetrôRio de interromper o serviço e instituir nova modalidade de integração por meio de seis linhas de ônibus municipais pegou de surpresa os usuários e gerou muitas dúvidas sobre a manutenção da qualidade do serviço, e os passageiros deverão levar mais tempo para chegar ao seu destino.

Às 7h — horário de grande movimento de trabalhadores —, os coletivos do MNS na Rua Nelson Mandela, em Botafogo, operavam com intervalo de menos de quatro minutos entre as saídas. Na chegada ao local, às 7h10, não foi preciso esperar para embarcar no veículo. Enquanto os passageiros entravam, já havia outros dois ônibus disponíveis para partir em seguida. Perto dali, na Rua Muniz Barreto, a espera no ponto do ônibus 583 (Cosme Velho—Leblon), um dos que aceitarão a integração tarifária a partir de hoje, foi de 26 minutos.

O tempo de trajeto também pode variar. Enquanto o MNS levou 18 minutos para chegar até a Gávea, o ônibus municipal precisou de 24 minutos. Somando-se o tempo de espera no ponto e a duração da viagem, o 583 demorou 50 minutos de Botafogo à Gávea. O mesmo percurso foi feito em apenas 18 minutos pelo MNS.

Mais oferta, diz MetrôRio

A oferta de mais linhas é usada pelo MetrôRio como argumento para a mudança. De acordo com a concessionária, o novo modelo de integração “permitirá o aumento da abrangência e a capilaridade do serviço, com a ampliação da oferta de ônibus e bairros atendidos”. A empresa justifica que, desta forma, concentrará “seus esforços na prestação do serviço metroviário, que é o objeto de seu contrato de concessão”.

Ontem, funcionários do metrô distribuíam panfletos no ponto de embarque de Botafogo e no ponto final da Gávea, na PUC, informando as linhas que passarão a fazer o serviço de forma integrada: 539 (Rocinha—Leme), 309 (Central—Terminal Alvorada), 538 (Leme—Rocinha), 548 (Metrô Botafogo— Terminal Alvorada), 583 (Cosme Velho—Leblon) e 584 (Cosme Velho—Leblon).

A nova integração só poderá ser feita com a utilização do cartão Riocard Mais. O intervalo entre a passagem pelo validador do primeiro e do segundo modal deverá ser de até duas horas. Para quem fizer a primeira parte da viagem de ônibus, haverá, inicialmente, a cobrança do valor da tarifa rodoviária vigente (R$ 4,30). Ao passar na catraca do metrô — apenas nas estações Botafogo e Antero de Quental —, será cobrado o restante (R$ 3,20). Já quando o embarque inicial acontecer no metrô, a tarifa de R$ 7,50 será cobrada de uma só vez, não havendo cobrança adicional nos ônibus, que manterão trajeto e pontos originais, segundo a Secretaria municipal de Transportes.

Na Gávea, por exemplo, o ponto de integração do MNS era próximo ao Terminal PUC. Como foi desativado, quem quiser usar o benefício da tarifa integrada deverá andar até a Rua Artur Araripe para pegar o 538, o único disponibilizado para o serviço com o metrô. O trajeto tem distância de 800 metros, uma caminhada de 15 minutos. No trajeto, não há sinalização ou indicativos de onde fica a parada, apenas no fim da rua se vê o avesso de uma placa antiga de ônibus.

Outras linhas de fora

Linhas como a 410 e a 157, que fazem o trajeto Botafogo—Gávea não estão inclusas na integração. Isso é uma das questões levantadas pelos usuários.

A criação do serviço de MNS foi uma forma de cobrir o trajeto originalmente previsto para a Linha 4 do metrô, conforme explica Marcus Quintella, diretor da FGV Transportes:

— Era o traçado original da Linha 4, passando pelo Humaitá e pelo Jardim Botânico, o que depois foi modificado. É uma pena encerrar esse serviço, algo que era muito bem avaliado pelos usuários. Não sei se eles foram ouvidos, mas acredito que não.

Se tivesse sido concluída, a estação Gávea do metrô, cujas obras estão paralisadas há anos, poderia atender, em parte, à demanda dos usuários que ficarão órfãos do MNS. Prometida e anunciada pela Secretaria estadual de Transportes, a retomada das obras ainda depende de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) em análise no Tribunal de Contas do Estado. O documento, informa o TCE-RJ, está em análise “com toda a atenção, o empenho e a prioridade que o tema merece”.

Com informações do Extra online.

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading