‘Terceiro pelotão’ com apenas 11% de intenção de voto na eleição do Rio pode ser decisivo para as pretensões de Paes e Ramagem

Cenário é de pouca adesão aos candidatos que aparecem depois dos aliados de Lula e Bolsonaro

Com informações de reportagem de O Globo

Os resultados de eleições passadas no Rio mostram que, mais do que o percentual do segundo colocado, o patamar dos demais candidatos tende a ser decisivo para a disputa acabar ou não no primeiro turno. Hoje, os índices de Tarcísio Motta (PSOL), Marcelo Queiroz (PP), Rodrigo Amorim (União) e nanicos remetem justamente à eleição municipal em que o agora também candidato à reeleição Eduardo Paes (PSD) conseguiu ser reconduzido logo na primeira etapa.

Segundo a última pesquisa Quaest, o prefeito tem 53% das intenções de voto, contra 20% de Alexandre Ramagem (PL) e 6% de Tarcísio. Somados, os outros registram exíguos 5%. Com isso, mesmo que o candidato bolsonarista cresça ainda mais ao longo da semana — algo até esperado pelo entorno de Paes —, o cenário concentrado em dois postulantes facilita o prefeito na tentativa de resolver o jogo no domingo que vem, com 11% dos votos depositados em nomes diferentes dos líderes. Na missão de conseguir o feito, ele precisa de metade mais um dos votos válidos. Hoje, conta com 21 pontos de diferença para a soma dos demais.

Naquele 2012, Marcelo Freixo — agora no PT e apoiador de Paes, mas na época no PSOL — teve o maior percentual de um segundo colocado na história dos primeiros turnos cariocas. Recebeu 28% dos votos válidos, mas o desempenho não foi o suficiente para impedir a vitória de Paes com 64,6%. Os demais adversários ficaram com 7,3%.

Bolsonaro critica Paes

Na época, o prefeito compôs uma aliança com 20 partidos, deixando o PSOL quase que isolado. Neste ano, Paes tem consigo dez siglas, mas a configuração política mudou de tal maneira que o único opositor com dois dígitos nas pesquisas é do bolsonarismo, força inexistente na outra vez em que o prefeito disputou a reeleição. A presença de uma direita mais radical acabou levando parte da esquerda ao candidato à recondução, deixando Tarcísio com mais dificuldade para crescer.

Na reta final da campanha, Paes martela críticas a Ramagem para minar o crescimento do candidato do PL. Ao mesmo tempo, lideranças de esquerda que apoiam o prefeito, como Freixo e Benedita da Silva, do PT, e Martha Rocha, do PDT, entraram em cena para intensificar o pedido pelo “voto útil” em Paes, a fim de evitar que a esquerda abrace em cima da hora a candidatura de Tarcísio e pulverize a disputa.

Ramagem, por sua vez, aposta na entrada do ex-presidente Jair Bolsonaro de cabeça na sua campanha nesta reta final. Ontem, o ex-mandatário “estreou” com críticas a Paes durante uma live. Bolsonaro disse que o prefeito teria aumentado o número de pardais na capital durante o seu mandato, disse que teria feito isso “para roubar o povo” e que Ramagem, caso eleito, removerá a fiscalização eletrônica.

Ele também associou Paes ao PT e tentou polarizar a disputa ao citar o seu apoio ao aliado Ramagem:

— O Rio está polarizado. Quem votar no Ramagem vota no Bolsonaro — disse.

Paes não comentou a live. Bolsonaro ainda alfinetou o candidato à prefeitura de São Paulo Pablo Marçal (PRTB), que promete gravar vídeos para candidatos a vereador que pagarem R$ 5 mil dizendo que “faz de graça”.

Psolista ataca

Questionado sobre o porquê de não ter embalado, Tarcísio diz que sempre cresce na reta final. Por outro lado, destaca o “medo” do eleitor depois de experiências traumáticas na esfera municipal, com Marcelo Crivella, e na estadual, com Wilson Witzel. No caso do ex-prefeito, a gestão chegou ao fim com péssima avaliação. Em suma, o eleitor testou um político à direita e se arrependeu, o que acabaria fazendo a esquerda pagar um preço.

Na quarta-feira, em vídeo nas redes sociais, Tarcísio criticou o movimento pró-voto útil em Paes e dedicou especial atenção a Freixo. Disse que sofreu “ataques coordenados” de apoiadores do prefeito e que o ex-aliado, defensor do voto em Paes como um gesto de “maturidade”, está equivocado.

“Na minha opinião, não é maturidade: é retrocesso, é recuo nas nossas causas. No mundo inteiro, quando a esquerda recua, quem avança é justamente a extrema direita”, afirma. “Todas as vezes em que a gente deixa a insatisfação e o desejo de mudança nas mãos da extrema direita, são eles que vencem, Freixo. Como te venceram em 2022, com Cláudio Castro” .

Em todas as disputas desde que passou a ser previsto o segundo turno, em 1992, só duas foram decididas sem chance para o segundo colocado protagonizar um embate direto com o líder por mais algumas semanas. Além da de 2012, a outra foi a de 2004, com a reeleição de Cesar Maia. Naquele ano, no entanto, deu-se no aperto: o então prefeito ficou com 50,1% dos votos válidos; o segundo colocado, Crivella, pontuou 21,8%, e os outros candidatos somaram 28,1%.

Maia, inclusive, é o único na História a virar o jogo de uma etapa para outra. Em 1992 e 2000, passou para o segundo turno na segunda colocação com cerca de 11 pontos de desvantagem em ambas, mas conseguiu ser eleito contra Benedita da Silva e o ex-aliado Luiz Paulo Conde.

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