* Paulo Baía
A disputa eleitoral para a prefeitura do Rio de Janeiro em 2024 se desenha como uma das mais intensas e acirradas dos últimos anos. Eduardo Paes, o atual prefeito, surge como o favorito nas pesquisas, mas enfrenta uma concorrência crescente de Alexandre Ramagem e Tarcísio Motta, que vêm ganhando terreno e podem surpreender à medida que a campanha avança. Com a ausência de uma forte polarização nacional, os candidatos focam em questões específicas da cidade, fazendo desta uma eleição centrada nas necessidades e desafios locais.
Eduardo Paes: a vantagem do incumbente
Eduardo Paes, candidato do PSD, se mantém na liderança com uma vantagem clara nas pesquisas. De acordo com a pesquisa Quaest encomendada pela Rádio Tupi, Paes obteve 52% das intenções de voto em um cenário com menos candidatos, e 49% quando a lista é completa. Este desempenho indica uma possível vitória no primeiro turno, refletindo a popularidade e reconhecimento de sua gestão.
A avaliação positiva do governo de Paes, que subiu para 45%, é um fator crucial para seu favoritismo. A percepção de sua administração melhorou nos últimos meses, alinhando-se diretamente com suas intenções de voto. Além disso, o apoio do PT e do presidente Lula solidifica ainda mais sua campanha, especialmente entre os eleitores lulistas, onde Paes alcança entre 61% e 64% das intenções de voto.
A pesquisa espontânea, que mede as intenções de voto sem apresentar uma lista de candidatos, mostra Paes com 22% das preferências, enquanto 70% dos eleitores se dizem indecisos. Esse alto índice de indecisos pode indicar uma volatilidade significativa no eleitorado, potencialmente alterando o cenário à medida que a campanha se intensifica.
Alexandre Ramagem: crescimento bolsonarista
Alexandre Ramagem, do PL-RJ e apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, é um dos principais adversários de Paes. Sua intenção de voto subiu de 11% para 14%, demonstrando um crescimento significativo. Ramagem tem uma base de apoio sólida entre os eleitores bolsonaristas e evangélicos, onde suas intenções de voto aumentaram de 14% para 24%.
Apesar de Paes ainda liderar entre os eleitores de Bolsonaro, Ramagem está ganhando tração e pode se beneficiar do apoio consolidado deste grupo. Em um eventual segundo turno entre Paes e Ramagem, o atual prefeito obteria 62% dos votos, contra 25% de Ramagem. Esse cenário mostra a força de Paes, mas também a resiliência de Ramagem, que ainda pode capitalizar sobre os eleitores indecisos e aqueles que não se identificam com a administração atual.
Tarcísio Motta: a voz da esquerda
Tarcísio Motta, do PSOL-RJ, também tem mostrado crescimento, subindo de 8% para 10% nas intenções de voto. Ele é particularmente forte entre os eleitores sem religião, onde suas intenções de voto aumentaram de 10% para 18%. Embora Motta ainda esteja atrás de Paes e Ramagem, seu crescimento indica que há espaço para uma alternativa progressista na eleição carioca.
Em um eventual segundo turno entre Paes e Motta, o atual prefeito alcançaria 57% das intenções de voto, contra 24% de Motta. Este cenário reflete a dificuldade que Motta enfrenta para ampliar sua base além dos eleitores tradicionalmente de esquerda, mas também mostra que ele é uma figura relevante na disputa.
Um Cenário Eleitoral Sem Polarização Nacional
Ao contrário do cenário nacional, a disputa pela prefeitura do Rio de Janeiro não está fortemente polarizada entre lulistas e bolsonaristas. A eleição está centrada em questões específicas da cidade, como segurança, transporte, saúde e infraestrutura. Esse foco nas necessidades locais reflete um eleitorado carioca que busca soluções práticas e eficazes para seus problemas cotidianos.
Os principais candidatos estão ajustando suas campanhas para atender a essas demandas. Paes se apoia em sua experiência administrativa e nas melhorias realizadas durante seu mandato. Ramagem, com o apoio de Bolsonaro, promete mudanças alinhadas com a direita conservadora. Motta, por sua vez, oferece uma visão progressista voltada para a justiça social e inclusão.
As Dinâmicas da Campanha
A campanha eleitoral, que se intensificará a partir de 16 de agosto, será decisiva para definir o vencedor. Paes, com sua máquina administrativa e apoio político robusto, tem uma vantagem inicial significativa. No entanto, Ramagem e Motta têm mostrado resiliência e capacidade de crescimento, o que pode levar a uma disputa apertada até o último momento.
A capacidade de mobilização, a eficácia das campanhas nas redes sociais e o desempenho nos debates públicos serão cruciais para influenciar os eleitores indecisos. Além disso, a gestão de crises e a resposta a eventos imprevistos durante a campanha poderão alterar as intenções de voto.
A pesquisa Quaest também testou cenários de segundo turno entre os principais candidatos. Em um confronto direto entre Ramagem e Motta, ambos aparecem empatados com 32% das intenções de voto, indicando que a disputa está aberta e pode ter desdobramentos inesperados. Este empate reflete a polarização existente entre os eleitores mais alinhados com a direita bolsonarista e a esquerda progressista.
Conclusão
A eleição para a prefeitura do Rio de Janeiro em 2024 será marcada por uma competição intensa e uma dinâmica de crescimento entre os principais candidatos. Eduardo Paes parte com uma vantagem sólida, mas Alexandre Ramagem e Tarcísio Motta estão demonstrando força e tendência de crescimento. A ausência de uma polarização nacional permite que as questões locais sejam o foco, beneficiando o candidato que melhor souber dialogar com as necessidades e expectativas dos cariocas.
A campanha será uma verdadeira batalha de estratégias, onde cada movimento poderá ser decisivo. A cidade do Rio de Janeiro observa atentamente, aguardando por lideranças capazes de enfrentar seus desafios e promover o desenvolvimento que a capital fluminense tanto necessita. Com um cenário de altos índices de indecisos na pesquisa espontânea, qualquer mudança na campanha pode ser crucial para definir o rumo das eleições, tornando esta disputa uma das mais imprevisíveis e interessantes da história recente da cidade.
* Sociólogo, cientista político e professor da UFRJ.





