Tentativas de homicídio disparam na Zona Oeste e moradores vivem rotina de medo

Em menos de três dias, dois crimes aconteceram na região

Os bairros da Zona Oeste do Rio, como Anil, Cidade de Deus, Curicica, Gardênia Azul, Jacarepaguá e Taquara, vêm registrando um aumento nos indicadores de violência letal em 2025. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública, foram 92 registros de tentativa de assassinato entre janeiro e junho deste ano, número 58% maior do que o mesmo período de 2024, quando ocorreram 58 casos.

Apesar do salto nas tentativas, os homicídios consumados caíram. De janeiro a junho de 2025, a 32ª Área Integrada de Segurança Pública (Cisp 32), que abrange os bairros, registrou 36 assassinatos, contra 66 no mesmo período de 2024, uma queda de 45%. 

No total, o somatório de homicídios e tentativas no primeiro semestre de 2025 chega a 128 ocorrências, número superior ao mesmo período de 2024, que teve 124 casos. Em todo o ano passado, foram 144 tentativas de homicídio e 113 assassinatos na região.

Medo diário

Para os moradores da região, os dados refletem uma rotina cada vez mais marcada pelo medo. Geysi Magalhães, de 56 anos, auxiliar de serviços gerais, vive há seis anos na Taquara e trabalha na Barra da Tijuca. Ela conta que evita ao máximo chegar tarde em casa.

“Meu medo fica ainda maior por ser mulher. Já vi vizinhos sendo assaltados ao chegar em casa, por volta das 17h. Teve dia em que me pediram para ficar até mais tarde no trabalho, mas eu neguei, com medo de voltar depois das 22h. Tá cada vez pior morar aqui”, desabafa.

Um comerciante que trabalha no Tanque, e preferiu não se identificar, relata que os confrontos armados são constantes na região.

“Vira e mexe é tiroteio. A gente tem medo de deixar a loja aberta e alguém entrar para se esconder. Isso sem contar os assaltos, que são diários”, disse.

A química Andressa Amorim também mora na Taquara e compartilha do mesmo sentimento que Geysi. 

“Parece que o bairro está abandonado em relação a segurança. Assaltos e furtos frequentes, além de constantes conflitos com tiroteio nas comidades da Zona Oeste, a gente sai de casa sem saber se vai voltar”, conta.

Casos recentes

Em menos de três dias, uma tentativa de homicídio e um assassinato aconteceram nos bairros da Taquara e de Jacarepaguá.

No sábado (27), uma mulher foi esfaqueada pelo ex-companheiro na Estrada do Tindiba, na Taquara. Ela sofreu cortes profundos nos braços e nas costas e foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra, onde recebeu alta. O agressor tentou fugir, mas foi detido e agredido por populares.

Na madrugada de segunda-feira (28), o ex-cabo da Polícia Militar Pedro Paulo de Lima Andrade foi executado dentro do próprio carro, na Estrada de Jacarepaguá. Ele e a companheira chegavam a uma casa de festas no Anil quando foram surpreendidos por ocupantes de um veículo branco, que dispararam pelo menos 15 vezes contra o carro. Os criminosos fugiram em seguida.

O que diz a Polícia Militar?

De acordo com o comando do 18ºBPM (Jacarepaguá), a unidade efetuou mais de 500 prisões em todo o seu perímetro de policiamento no período entre janeiro e junho de 2025.

O policiamento  é distribuído  através da análise da mancha criminal da região e das informações de inteligência.

A Polícia Militar ressalta a importância de que a população colabore realizando denúncias – o telefone do Disque-Denúncia é (21) 2253-1177 – ou, para casos urgentes, faça o acionamento através da nossa Central 190 ou pelo App 190. Os registros em delegacias da Polícia Civil também são essenciais para que os envolvidos sejam identificados

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